24 de julho de 2010

O livro de Êxodo

Texto I - ÊXODO - CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES
Êxodo –Autor e significado do Título
Êxodo, de autoria de Moisés, é um livro com 40 capítulos e 1.055 versículos
Em português "êxodo" e a forma latinizada que se derivou da Septuaginta, onde "ex" significa "fora" e "hodos", caminho, ou seja, "saída"
O Livro de Êxodo, segundo livro do Pentateuco, corresponde a segunda seção da "Toráh", e tem esse nome porque é o livro que relata a saída do povo de Israel, do Egito.
O título de Êxodo foi dado pelos tradutores da Septuaginta, pelo fato de ser o livro que descreve a "saída" de Israel, do Egito. Os judeus deram-lhe o nome de "We elleh Shemoth" devido sua primeira frase: "São estes os nomes".
O Tema do Livro – Redenção
Redenção é o ato de remir ou redimir. Remir tem o sentido de resgatar, tirar do cativeiro. Era, pois, o que o povo de Israel estava necessitando.
No Egito, símbolo do mundo, Israel foi escravizado. No plano espiritual, temos uma figura do homem escravizado, no pecado, sofrendo debaixo do poder e das ordens de Satanás.
Para tirar do cativeiro, ou para prover a Redenção, para seu povo oprimido, no Egito, símbolo do mundo, debaixo do jugo de Faraó, símbolo de Satanás, Deus enviou ao Egito um redentor, ou libertador, Moisés, uma figura de Jesus.
O povo não participou da luta, ou disputa, entre Moisés e Faraó, mas, o povo foi beneficiado pela vitória de Moisés sobre Faraó. Após Faraó ter sido vencido, o povo pôde sair livremente do Egito, porque creu nas palavras de Moisés, aceitando sua liderança.
Da mesma forma, após a vitória do Senhor Jesus, na cruz do calvário, o pecador poderá ser liberto do mundo e do pecado se crer e aceitar o Senhor Jesus Cristo como seu Salvador, e Redentor.
Redenção é, pois, o Tema do Livro de Êxodo
Moisés e Cristo, no Êxodo
No livro de Êxodo podemos encontrar Moisés, como figura de Cristo, sob diversos aspéctos:
1- Salvo da morte, quando menino – Êxodo 1:15-22
Moisés foi salvo, pela providência divina, pouco depois de seu nascimento, pois, a ordem do Faraó era no sentido de matar todos os meninos recém-nascidos – "...se for filho, matai-o..."(Êxodo 1:16).
A mesma condenação houve quando do nascimento de Jesus -
" Então, Herodes, vendo que tinha sido iludido pelos magos, irritou-se muito e mandou matar todos os meninos que havia em Belém e em todos os seus contornos, de dois anos para baixo, segundo o tempo que diligentemente inquirira dos magos" (Mateus 2:16 ).
2- Moisés sacrificou a sua posição real a fim de libertar o povo
" Pela fé, Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, Escolhendo, antes, ser maltratado com o povo de Deus do que por, um pouco de tempo, ter o gozo do pecado" (Hebreus 11:24-25 ).
O mesmo aconteceu com Jesus -
" Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens" (Filipenses 2:6-7 ).
3- Moisés, num primeiro momento, foi rejeitado pelos israelitas
"...Quem te tem posto a ti por maioral e juiz sobre nós?..." (Êxodo 2:14).
Jesus foi, também, rejeitado pelos seus - "Veio para o que era seu, e os seus não o receberam" (João 1:11).
4 – Moisés foi, num segundo momento, recebido como libertador e governante
" A este Moisés, ao qual haviam negado, dizendo: Quem te constituiu príncipe e juiz? A este enviou Deus como príncipe e libertador, pela mão do anjo que lhe aparecera no sarçal" (Atos 7:35 ).
Da mesma forma, Jesus quando vier, em glória, para libertar Israel, será aclamado como libertador –
"...e olhando para mim, a quem traspassaram...e chorarão amargamente..."(Zacarias 12:10).
5- Moisés após libertar Israel, do Egito, conduziu-o, com segurança através do deserto, em direção à Canaã
" Foi este que os conduziu para fora, fazendo prodígios e sinais na terra do Egito, no mar Vermelho e no deserto, por quarenta anos" (Atos 7:36 ).
Jesus, hoje, é o que nos conduz através deste deserto em que vivemos, em direção a Canaã Celestial, pelo que devemos prosseguir –
"Olhando para Jesus, autor e consumador da fé..."(Hebreus 12:2).
É claro que em muitas outras figuras o Senhor Jesus pode ser encontrado no Livro de Êxodo.
A divisão do Livro de Êxodo
O livro de Êxodo pode ser dividido em três partes:
I – Israel no Egito – Êxodo 1 a 12:36
II – A jornada de Israel, do Egito ao Monte Sinai – Êxodo 12:37 a 19:1
III – Israel, no Sinai – Êxodo 19:2- a 40:38
I – Israel no Egito – Êxodo 1 a 12:36
Abraão, o primeiro a peregrinar no Egito
Conforme temos visto no livro de Gênesis, Abraão, o Pai da Nação de Israel, foi o primeiro a peregrinar no Egito, embora não sob a direção e orientação de Deus -
" E havia fome naquela terra; e desceu Abrão ao Egito, para peregrinar ali, porquanto a fome era grande na terra" (Gênesis 12:10 ).
Isaque, seu filho, Deus proibiu que fosse ao Egito –
"E apareceu-lhe o Senhor e disse:não desça ao Egito..."(Gênesis 26:2).
Dos filhos de Israel, o primeiro a descer ao Egito foi José, entrando ali na condição de escravo -
" E José foi levado ao Egito, e Potifar, eunuco de Faraó, capitão da guarda, varão egípcio, comprou-o da mão dos ismaelitas que o tinham levado lá. E o Senhor estava com José, e foi varão próspero; e estava na casa de seu senhor egípcio" (Gênesis 39:1-2 ).
Vinte e dois anos depois toda família de Jacó era levada para o Egito, por providência de Deus, e pela instrumentalidade de José, em cumprimento a promessa de Deus feita a Abraão, mais de duzentos anos atrás –
" Então, disse a Abrão: Saibas, decerto, que peregrina será a tua semente em terra que não é sua; e servi-los-á e afligi-la-ão quatrocentos anos" (Gênesis 15:13 ).
O cumprimento desta promessa vemos registrado em Gênesis, capítulo 46 e ainda em Êxodo 1:1-5 -
" Estes, pois, são os nomes dos filhos de Israel, que entraram no Egito com Jacó; cada um entrou com sua casa: Rúben, Simeão, Levi e Judá; Issacar, Zebulom e Benjamim; Dã, Naftali, Gade e Aser. Todas as almas, pois, que descenderam de Jacó foram setenta almas; José, porém, estava no Egito" (Êxodo 1:1-5 ).
José viveu ainda cerca de 71 anos depois que sua família chegou ao Egito. Ali, os filhos de Israel cresceram e se multiplicaram muito -
" Os filhos de Israel frutificaram, e aumentaram muito, e multiplicaram-se, e foram fortalecidos grandemente; de maneira que a terra se encheu deles" (Êxodo 1:7 ).
Certamente que, se não fora o trabalhar de Deus, os filhos de Israel não deixariam o Egito. Todavia, na promessa feita por Deus a Abraão, ele levaria Israel de volta à terra prometida. Deus garantiu a Abraão que –
"A quarta geração tornará para cá" (Gênesis 15:16).
Deus no comando da história
Precisamos crer que as coisas não acontecem por acaso. Deus havia dito que os filhos de Israel serviriam os egípcios e seriam por eles afligidos. Isto, até então não tinha acontecido. Então Deus tomou uma providência necessária ao cumprimento de sua Palavra -
" Depois, levantou-se um novo rei sobre o Egito, que não conhecera a José" (Êxodo 1:8 ).
Em favor de seu povo Deus derruba e levanta reis. Por isto Paulo afirmou que –
"...todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus..." (Romanos 8:28).
Precisamos crer nisto, aceitando sempre a vontade de Deus. Pense nisto!
Israel afligido no Egito
Em meio a muitas discussões há um consenso mais ou menos geral de que o "hicsos", ou reis pastores, governavam o Egito no tempo em que José ali chegou, tendo sido Apepi II, da XVI Dinastia, por volta do ano 1700 aC., o Faraó que o colocou no poder.
Enquanto os "hicsos" governaram, Israel foi favorecido, no país. Porém, os "hicsos" foram expulsos pela XVIII Dinastia, então, com uma mudança radical de governo, surgiu um novo rei sobre o Egito, que não conhecera José.
Esta nova Dinastia, por certo, estava disposta a impedir que os "hicsos" voltassem ao poder. Temendo que houvesse uma tentativa nesse sentido e que "vindo guerra", os israelitas, então muito numerosos, pudessem se juntar aos "nossos inimigos, e pelege contra nós"(Êxodo 1:10), procuraram encontrar uma maneira de subjugar e enfraquecer o povo de Israel
O fundador da XVIII Dinastia e que teria derrotado os "hicsos", tem sido identificado como sendo o Faraó Amosis I. Este seria, também, o rei que "não conhecera José", e que deu inicio à opressão, ou escravatura do povo de Israel, a fim de enfraquecê-lo.
Primeira tentativa
A opressão foi feita em forma de trabalho escravo, impondo aos trabalhadores cotas de serviços difíceis de se atingir –
"E os egípcios puseram sobre eles maiorais de tributos, para os afligirem com suas cargas..." (Êxodo 1:11).
A sobrecarga de trabalho pesado com o objetivo de limitação de filhos não deu resultados –
"...quanto mais os afligiam, tanto mais se multiplicavam e tanto mais cresciam...E os egípcios faziam servir os filhos de Israel com dureza" (Êxodo 1:12-13).
Segunda tentativa – A ordem para matar os meninos – Êxodo 1:15-22
"E o rei do Egito falou às parteiras das hebréias...e disse: quando ajudardes no parto as hebréias e as virdes sobre os assentos, se for filho, matai-o; mas se for filha, então viva" (Êxodo 1:16).
Mais uma vez o plano de Faraó falhou porque as parteiras "temeram a Deus e não fizeram como o rei do Egito lhes dissera..." (Êxodo 1:17).
Terceira tentativa – Jogar no Rio Nilo todos os meninos recém-nascidos
Supõem-se ter sido o Faraó Totmes I, que reinou entre 1539 e 1514 aC., quem ordenou a matança dos meninos na época em que Moisés nasceu.
TEXTO II - O NASCIMENTO DE MOISÉS, SUA PREPARAÇÃO SUA CHAMADA
Filho de Anrão e Joquebede, ambos da tribo de Leví
" E Anrão tomou por mulher a Joquebede, sua tia, e ela gerou-lhe a Arão e a Moisés; e os anos da vida de Anrão foram cento e trinta e sete anos" (Êxodo 6:20).
" E a mulher concebeu, e teve um filho, e, vendo que ele era formoso, escondeu-o três meses" (Êxodo 2:2 ).
O ato de coragem em esconder o menino valeu aos seus pais um lugar na galeria dos heróis da fé.
A vida de Moisés – um milagre de Deus
Podemos afirmar que o nascimento de Moisés foi uma resposta ao clamor do Povo de Israel -
" E disse o Senhor: Tenho visto atentamente a aflição do meu povo, que está no Egito, e tenho ouvido o seu clamor por causa dos seus exatores, porque conheci as suas dores" (Êxodo 3:7 ).
Diante do clamor do povo, Deus providenciou o nascimento de um menino. Na sequência, a preservação de sua vida foi um milagre da fé de seus pais.
Em todos os lances de sua vida temos que admitir a presença do sobrenatural. O fato de ser salvo das águas e de ser adotado por uma princesa, sendo entregue à própria mãe, que além de ter seu filho de volta aos seus braços, vai ser remunerada pelo trabalho de criá-lo.
Tudo isto foge a nossa compreensão, ao exame da lógica. Seus pais tiveram a oportunidade de trabalhar em sua formação moral e espiritual. Foi, com certeza, pelos ensinos que recebeu desde sua mais tenra infância, que um dia ele pôde fazer a sua mais importante escolha -
" Pela fé, Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, Escolhendo, antes, ser maltratado com o povo de Deus do que por, um pouco de tempo, ter o gozo do pecado" (Hebreus 11:24-25 ).
Sua vida dividida em três períodos iguais
Foram 120 anos divididos em três períodos de atividades distintas. Não poderia ser coincidência.
1- Primeiro período – de um a quarenta anos
Moisés aprendeu a ser alguém
Como príncipe, viveu na corte mais rica e mais poderosa da terra. Foi preparado exatamente como era preparado um sucessor do trono de Faraó.
Sob a direção dos melhores professores e líderes da época, na corte mais adiantada do mundo. Adquiriu conhecimento intelectual, político, além de treinamento militar.
O historiador Josefo descreve Moisés como um grande General, que à frente dum numeroso exército de seu país conduziu com grande estratégia e sucesso uma extensa campanha contra os etíopes, derrotando-os totalmente.
2- Segundo período – 40 anos no deserto de Midiã
Moisés aprendeu que não era ninguém
Um ambiente muito diferente dos luxuosos aposentos que ele tinha no palácio. Humanamente ele estava preparado, mas espiritualmente ele aprendeu as primeiras lições com Deus, na solidão do deserto. Era Deus guiando seus passos e preparando-o na "escola da experiência" para a grande obra que ele deveria executar.
Foi no deserto que Moisés libertou-se de sua auto-suficiência que tanto complicou a sua vida quando ele, prematuramente, agiu na força do seu braço no sentido de querer libertar o seu povo, pensando que tinha capacidade em si mesmo – Êxodo 2:11-15.
O preparo de Moisés no lar – Êxodo 18:2-4
Sua experiência como marido de Zípora e pai de dois filhos, Gerson e Eliézer, estes certamente despertaram em Moisés sentimentos de amor, paciência, bondade, mansidão. Isto foi de grande valor para ele, mais tarde, no trato com as famílias, no meio do povo.
3- Terceiro período – 40 anos guiando o povo pelo deserto
Moisés aprendeu que Deus é tudo
Moisés aprendeu a viver na dependência de Deus. Ele pode entender o que faria, sem Deus, diante do Mar Vermelho, da Rocha de Horebe, das Águas de Mára, dos Amalequitas. Que resposta daria ao povo quanto este pediu carne, bem como de onde traria o maná. Moisés, dia a dia, aprendia mais e mais a viver na dependência de Deus.
A chamada de Moisés
"E apascentava Moisés o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote em Mídiã.."Êxodo 3:11).
Há quarenta anos ele era pastor de ovelhas! Ao que parece não tinha o seu próprio rebanho. Ter uma ocupação, estar fazendo um trabalho, parece ser uma das condições para alguém que almeja o episcopado. Olhando através da Bíblia, todos os homens que Deus chamou estavam fazendo uma obra.
Assim foi com Amós, com Gideão, com Saul, com Davi, com Elizeu, com Neemias, com Pedro, com Mateus, com João, com tantos outros. Aconteceu também com Moisés. Ele era pastor de ovelhas!
Moisés e a Sarça Ardente – Êxodo 3:2-4
"E apareceu-lhe o Anjo do Senhor em uma chama de fogo, no meio de uma sarça..."(Êxodo 3:2).
Trata-se de uma sarça comum, como outras que havia no lugar, só que esta ardia sem ninguém ter-lhe ateado fogo e, ardendo, não se consumia. A sarça aqui referida é um pequeno arbusto formando moitas. O que impressionou Moisés é que a sarça continuava a queimar mas não se consumia
Aquele fogo era um emblema da presença do Deus vivo
E Deus falou do meio do fogo – "...Moisés! Moisés! E ele disse: eis-me aqui". Deus chamou-o pelo nome. Quando Deus repete o nome, como aqui, é porque o chamado é muito urgente; muito importante ou muito sério.
Foi assim com Abraão – Gênesis 22:11; com Samuel, I Samuel 3:10; com Marta – Lucas 10:41; com Simão – Lucas 22:31; com Saulo – Atos 9:24, etc.
A verdade é que Deus chama para o seu trabalho de forma direta e pessoal. Chama e confirma para que não haja dúvidas.
O conteúdo da chamada - Êxodo 3:5-10
A presença de Deus santifica o lugar. Portanto, o "Anjo do Senhor" era o próprio Jesus. "tira os sapatos de teus pés". Foi a ordem que recebeu Moisés.
Aquele tempo e de acordo com a cultura daquela parte do mundo, descalçar os pés era sinal de respeito, consideração, reverência. Moisés estava na presença do próprio Deus.
O Senhor esclareceu o conteúdo da chamada de Moisés. Não existe chamada vazia, sem conteúdo. Pense nisso!
" E agora, eis que o clamor dos filhos de Israel chegou a mim, e também tenho visto a opressão com que os egípcios os oprimem. Vem agora, pois, e eu te enviarei a Faraó, para que tires o meu povo, os filhos de Israel, do Egito" (Êxodo 3:9-10 ).
O " Anjo do Senhor" esclareceu o motivo da chamada de Moisés, revelando a necessidade do povo, bem como os detalhes da sua missão– Êxodo 3:6-10
A chamada divina envolve clareza da parte de Deus para com o crente. Você sabe para que foi chamado e qual é a sua missão? Moisés sabia!
A resposta de Moisés – "Quem sou eu...?"
Pela sua resposta sabemos que ele estava preparado. Quando o homem reconhece que não é nada, então Deus pode trabalhar na sua vida, porque o poder de Deus " se aperfeiçoa na fraqueza" (II Coríntios 12:9).
Em 40 anos de deserto Moisés aprendeu quem ele era. Acabara aquela auto-confiança que ele adquiriu, como príncipe, no Egito. Seu "EU" reduziu-se ao pó. Ele tinha aprendido a prática da humildade. Orgulho, altivez, soberba não pode existir na vida de um homem chamado por Deus. Moisés estava preparado para corresponder ao chamado de Deus!
Chamado, preparado, enviado
Esta é a sequência bíblica que precisa ser observada. Aconteceu assim com os apóstolos – foram chamados por Jesus, preparados por ele e com ele durante três anos, depois enviados "por todo o mundo".
Aconteceu assim com Paulo. Ele foi chamado no caminho de Damasco; preparado no deserto da Arábia; de Antioquia foi enviado ao campo missionário.
Aconteceu com Moisés. Ele tinha uma chamada desde seu nascimento, razão porque Deus preparou sua vida; ele foi preparado no deserto de Midiã; agora está sendo enviado ao Egito.
Muitos erram porque começam pelo fim. Vão, ou são enviados por quem não foi chamado; dá tudo errado! Outros têm chamada, mas começam, por conta própria, ou mesmo enviados, porém, antes de estarem preparados.
A preparação pode ser longa, difícil, até sofrida
Não são muitos os que pagam o preço. Isto resulta em obreiros despreparados. Prejuízos para a obra de Deus. As coisas para dar certo precisam acontecer no tempo de Deus.
Moisés já estava com oitenta anos. Certamente que se ele teve um sonho de libertar o seu povo da escravidão do Egito. Materialmente, seu sonho tinha-se inviabilizado. Ele pensava nada mais poder sonhar.
Mas o que pensamos ser o nosso fim, pode ser o começo para Deus. Considere isto!
O tempo de Deus chegou para Moisés e graças a Deus que ele soube esperar. Saber esperar é uma das virtudes que caracteriza um homem de Deus. Davi sabia, pois disse -
" Esperei com paciência no Senhor, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor" (Salmos 40:1).
Em Moisés cumpriu-se o que o Salmista escreveria muito tempo depois -
" Na velhice ainda darão frutos; serão viçosos e florescentes" (Salmos 92:14).
O erro de alguns é que quando sentem a chamada divina, imediatamente abandonam tudo e saem despreparados para a obra do Senhor, resultando isso em males e prejuízos para a igreja, para o indivíduo e, muitas vezes, a família se torna na maior vítima.
Timóteo acompanhou Paulo por cerca de quinze anos antes de ser designado para pastorear a igreja, em Eféso.
Elizeu teve uma longa preparação, acompanhando Elias, antes de assumir o seu lugar
Daniel teve que fazer um curso de três anos para trabalhar na casa do rei. Assim, aquele que sente ter a chamada de Deus, precisa começar a preparar-se. Um Curso Básico pode ser parte desse preparo. Pense nisso!
Moisés estava preparado aos olhos de Deus
Foi longo, difícil o trabalhar de Deus em sua vida. Ele estava preparado, segundo Deus. Porém, ele não se considerava estar pronto, sentindo-se incapaz. Pensar ser capaz é uma demonstração de não estar preparado.
1- Moisés sentiu-se incapaz
"Quem sou eu?" Deus lhe respondeu – "Certamente eu serei contigo" (Êxodo 3:12)
2- Moisés sentiu falta de sabedoria
"Que lhes direi?". Deus lhe respondeu – "Eu Sou O Que Sou" (Êxodo3:14). Ele é o todo suficiente. Suficiente em poder; suficiente em proteção; suficiente em recursos; suficiente nas dificuldades, portanto – "Assim dirás aos filhos de Israel: Eu Sou me enviou a vós".
3 – Moisés sentiu que teria problemas com o povo
"Mas eis que me não crerão" (Êxodo 4:1).
Deus o credenciou com um ministério de sinais, prodígios e maravilhas, de modo que ele poderia dizer como depois diria Jesus – se "Não credes em mim, credes nas obras, para que conheçais e acrediteis que o Pai está em mim, e eu nele" João 10:38.
4- Moisés alegou sua falta de eloquência
"...Eu não sou homem eloquente" (Êxodo 4:10).
Deus lhe prometeu inspiração e, por causa de sua insistência, deu-lhe um porta voz – Êxodo 4:11-16.
5 – Moisés obedeceu
" Então, foi-se Moisés, e voltou para Jetro, seu sogro, e disse-lhe: Eu irei agora e tornarei a meus irmãos que estão no Egito, para ver se ainda vivem. Disse, pois, Jetro a Moisés: Vai em paz" (Êxodo 4:18 )
Quando Deus precisa realizar uma obra neste mundo, ele escolhe alguém para isso. Ele mesmo podia libertar o seu povo sem qualquer recurso humano, mas em vez de assim fazer ele usou Moisés como instrumento nas suas mãos.
Uma difícil missão requer uma difícil preparação
A missão que Deus havia reservado para Moisés era das mais difíceis encontradas na Bíblia. Assim, olhando para a vida de Moisés podemos concluir que uma difícil missão requer uma difícil preparação. Considere isto!
Os quarenta anos de Egito foram necessários, mas, os quarenta de deserto, foram decisivos e fundamentais. Moisés, por certo, não podia compreender nada do que estava acontecendo com ele, mas, ele estava na "Escola de Deus", sendo preparado para uma difícil missão. Sem passar pelos caminhos por onde ele estava passando, ele não conseguiria passar pelos que ele teria que passar.
Esta é uma verdade que todo aquele que é, ou que pretende ser um homem de Deus, precisa compreender. Se estamos passando por incríveis dificuldades que não foram causadas por nossa própria imprudência, ou culpa, então é possível que seja o trabalhar de Deus em nossas vidas. Preparando-nos para uma de suas difíceis missões. Creia nisto!
Assim aconteceu com Moisés
Para tornar-se apto a conduzir o povo através do deserto não bastava seus conhecimentos de astronomia, de geografia, de geometria, de medicina, de leis, de psicologia, e tantos outros.
Ele precisava aprender a sobrevivência no deserto, a paciência, a tolerância, o auto-controle e, principalmente aprender o caminho para uma íntima comunhão com Deus. O silêncio e a imensidão do deserto, bem como o trato contínuo das ovelhas de seu sogro, deram-lhe essas qualidades.
Vimos que após quarenta anos de trabalho ele ainda pastoreava as ovelhas de seu sogro – Êxodo 3:1.
Deus pode não lhe ter permitido que tivesse o seu próprio rebanho. Jacó "tinha muitos rebanhos, e servas, e servos, camelos, jumentos". Em consequência teve grande dificuldade para sair de Harã. Moisés não havia criado raízes na terra!
Moisés conduzindo o povo pelo deserto ele sabia que da mesma forma que o rebanho que ele pastoreava não era seu, também aquele povo não lhe pertencia. Ele sabia que tinha que prestar contas de seu trabalho.
Assim como aconteceu com Moisés, também acontece conosco. Se nossa responsabilidade é grande, ela será tão maior se tivermos consciência de que o dono da obra é o Senhor e que nós somos apenas mordomos seus.

5 de julho de 2010

A manifestação de Cristo – em glória

" E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco. O que estava assentado sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro e julga e peleja com justiça." (Apocalipse 19:11)
A segunda vinda de Jesus acontecerá em duas etapas ou em dois momentos
Entendido o que é a segunda vinda de Jesus, vamos entender como ela acontecerá. A segunda vinda de Jesus acontecerá em dois momentos, em duas etapas, ou em duas fases.
Num primeiro momento, que, segundo cremos, poderá acontecer a qualquer instante, o Senhor Jesus virá buscar a Sua igreja. Acontecimento este conhecido como arrebatamento da igreja.
Num segundo momento, sete anos depois do arrebatamento da igreja, ainda segundo cremos, o Senhor Jesus virá outra vez. Agora, para os judeus, ou para a nação de Israel. Será como se fosse sua terceira vinda, porém, este acontecimento é considerado como sendo a segunda etapa da segunda vinda de Jesus. Deu para entender?
Esta segunda etapa, biblicamente, é conhecida como o "Dia da Revelação do Senhor Jesus". Será, pois, quando acontecerá a volta triunfal de Cristo, conforme está relatado em Apocalipse 19:11-21.
Algumas diferenças entre o arrebatamento da igreja e o Dia da Revelação do Senhor Jesus
Conforme vimos estes dois eventos escatológicos acontecerão na segunda vinda de Jesus, porém, em dois momentos diferentes. Temos observado que muitos têm uma certa dificuldade em entender, e separar estes dois eventos. Por esta razão estamos procurando tentar explicar de uma forma mais simples possível.
Ainda com este objetivo de procurar simplificar, vamos falar sobre a volta triunfal de Cristo, porém, mantendo uma conexão com o arrebatamento da igreja, a fim de marcar bem as diferenças entre estes dois momentos escatológicos.
Diferença quanto ao objetivo - Para quem Ele virá
1- Primeira fase da segunda vinda de Jesus
Na primeira fase de sua segunda vinda, o Senhor Jesus virá buscar a Sua igreja. Biblicamente, chamamos este acontecimento de arrebatamento da igreja. O arrebatamento sempre foi, e continua sendo a grande esperança da igreja.
A igreja não espera a vitória do bem sobre o mal, não espera que a terra seja transformada num paraíso, não espera que Jesus venha para implantar aqui o seu governo - a igreja espera que o Senhor Jesus venha para tirá-la desta terra e deste mundo e levá-la para sua glória, ou para o céu.
É, exatamente isto que acontecerá no dia do arrebatamento - Jesus virá buscar a sua Igreja. É nesta esperança que cantamos o Hino nº 323, da Harpa Cristã, cuja última estrofe, diz
"Ser arrebatado, eu, pro céu, quem dera! Pois a igreja Cristo levará. A figueira está em flor, é primavera. Levantai os vossos olhos já".
2- Segunda fase da segunda vinda de Jesus
Na segunda fase de sua segunda vinda, conhecida, biblicamente, como o Dia da Revelação do Senhor Jesus, Ele virá, de uma forma especial, para os judeus, ou para a nação de Israel, e, também, como afirmou Judas –
"...para fazer juízo contra todos e condenar dentre eles todos os ímpios, por todas as suas obras de impiedade que cometeram e por todas as duras palavras que ímpios pecadores disseram contra ele"( Judas 14:15).
O Dia da Revelação do Senhor será um dia de bênçãos para Israel, porém, será um dia de acerto de contas com todas as nações da terra.
Quando será - Diferença quanto ao tempo
A primeira fase da segunda vinda, ou seja, o arrebatamento da igreja, conforme o Senhor Jesus Cristo falou - ninguém sabe - "Porém daquele Dia e hora ninguém sabe..."- Mateus 24:36.
Pelos sinais que precederiam sua vinda, segundo cremos, o arrebatamento da igreja poderá acontecer a qualquer momento. Não haverá nenhum sinal para o mundo –
"Mas, à meia-noite, ouviu-se um clamor: Ai vem o esposo! Sai-lhe ao encontro!...e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta"- (Mateus 25:6,10).
A segunda fase, ou o Dia da Revelação do Senhor ou a volta triunfal de Cristo, acontecerá sete anos depois do arrebatamento da igreja. Estes sete anos, conforme já sabemos, correspondem ao tempo da duração da última das setenta semanas de Daniel.
Segundo a doutrina Pré-Tribulacionista, a igreja será arrebatada antes da Grande Tribulação. Logo após o arrebatamento, começará o tempo da última semana, ou seja, da septuagésima semana de Daniel.
Sua primeira metade, ou seja, três anos e meio, será de paz e na sua segunda metade ocorrerá a Grande Tribulação. Será no final dela, portanto, sete anos depois do arrebatamento da igreja, que ocorrerá a segunda fase, ou o Dia da Revelação do Senhor Jesus, em glória.
Como será - Diferença quanto ao modo de sua vinda
Na primeira fase da segunda vinda, ou seja, o arrebatamento da igreja, o Senhor Jesus virá em segredo para o mundo, "...virá como ladrão de noite"- I Tessalonicenses 5:2.
Quando o Senhor Jesus retornou ao céu, somente os seus discípulos o viram subir –
"E, estando com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles se puseram dois varões vestidos de branco, os quais lhes disseram: Varões Galileus ... Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no Céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir"( Atos 1:10-11).
De Jerusalém, ou de qualquer outro lugar, ninguém o viu subir; somente os seus discípulos o viram. Cremos que, da mesma forma, somente os seus discípulos o verão voltar, no dia do arrebatamento.
Na segunda fase, ou no Dia da Revelação do Senhor Jesus, Ele virá "...com poder e grande glória...", conforme ele mesmo afirmou no seu Sermão Escatológico –
"E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas".
Nessa oportunidade sua vinda será visível –
"Então aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do Homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória"( Mateus 24:29-30).
Em Apocalipse 1:7, está confirmado que todo olho o verá - isto no Dia da Revelação e não no arrebatamento da igreja –
"Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até os mesmos que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Sim. Amém".
O profeta Zacarias falando sobre esse dia, diz –
"E se alguém lhe disser: que feridas são essas nas tuas mãos? Dirás ele: são as feridas com que fui ferido em casa de meus amigos"( Zacarias 13:6).
Tudo isto será no Dia da Revelação. Não confunda o dia do arrebatamento da igreja com o Dia da Revelação do Senhor. No arrebatamento somente os salvos verão Jesus. No Dia da Revelação, todos os que estiverem vivos, o verão - "todo o olho o verá". Creia nisso!
Quanto ao local - Diferença quanto ao local do encontro com Jesus
Na primeira fase de sua segunda vinda, ou seja, no dia do arrebatamento da igreja, o Senhor Jesus não virá até aqui, na terra. O Espírito Santo que está na terra desde o Dia de Pentecoste- Atos 2:1-4 - é quem levará a igreja ao encontro do Senhor Jesus, nos ares, conforme ensinou Paulo –
"Dizemos-vos, pois, isto pela palavra do Senhor que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem. Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com a voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos, arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor"(I Tessalonicenses 4:15-17).
Portanto, no dia do arrebatamento, o Senhor Jesus não virá até a terra. Levada pelo Espírito Santo, a igreja encontrar-se-á com Jesus, nos ares. Este pensamento é confirmado de forma figurada, no Antigo Testamento, através de Rebeca, a noiva, uma figura da igreja, com Isaque, o noivo, uma figura de Jesus.
Rebeca foi levada por Eliezer, uma figura do Espírito Santo. O encontro de Rebeca com Isaque não aconteceu na tenda de Abraão, uma figura de Deus, Pai.
A Bíblia relata que –
"E Isaque saira a orar e olhou, e eis que os camelos vinham. Rebeca também levantou seus olhos, e viu a Isaque, e lançou-se do camelo. E disse ao servo. Quem é aquele varão que vem pelo campo ao nosso encontro? E o servo disse: Este é meu Senhor. Então tomou ela o véu, e cobriu-se"(Gênesis 22:63-65).
Desta mesma forma, o Senhor Jesus Cristo, sairá da presença do Pai e virá até as nuvens, onde o Espírito Santo lhe entregará a Sua igreja. Estaremos lá?
Na segunda fase de sua segunda vinda, ou seja, no Dia da Revelação do Senhor, Jesus descerá até a terra. Descerá no mesmo lugar de onde ele subiu, depois de sua ressurreição, ou seja, no Monte das Oliveiras - Atos 1:12, conforme falou o profeta Zacarias –
"E naquele dia estarão os seus pés sobre o Monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente; e o Monte das Oliveiras será fendido pelo meio, para o oriente e para o ocidente, e haverá um vale muito grande; e metade do monte se apartará para o norte, e a outra metade para o sul"( Zacarias 14:4).
"... e haverá um vale muito grande..."
Este vale será, certamente, o Vale de Jeosafá. Embora a Bíblia fale do Vale de Jeosafá, este vale até hoje nunca existiu. Porém, será nesse tempo que acontecerá o julgamento das nações no vale de Jeosafá, conforme afirmou o profeta Joel –
"Portanto, eis que naqueles dias, e naquele tempo, em que removerei o cativeiro de Judá e de Jerusalém. Congregarei todas as nações, e as farei descer ao Vale de Jeosafá; e ali com elas entrarei em juízo, por causa do meu povo, e da minha herança, Israel, a que espalharam entre as nações, repartindo a minha terra... Multidões, multidões no Vale da decisão! Porque o dia do Senhor está perto, no vale da decisão. O sol e a lua se enegrecerão, e as estrelas retirarão o seu resplender"( Joel 3:1-2, 14-15).
Também o Senhor Jesus, no seu sermão escatológico falou desse julgamento das nações, ligando-o ao Dia da Revelação do Senhor, quando disse –
"E quando o Filho do Homem vier na sua glória, e todos os santos com ele...".
Parece que foi esse dia que Enoque viu, conforme escreveu Judas –
"Eis que é vindo o Senhor com milhares de seus santos, para fazer juízo..."( Judas, 14).
O Senhor Jesus prosseguiu, dizendo –
"...então se assentará no trono de sua glória; E todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas"(Mateus 25:31-32).
Judas disse "...que é vindo o Senhor... para fazer juízo...". O Senhor Jesus falou do julgamento das nações que acontecerá no dia da revelação do Senhor. Mateus 25:31-46.
Enquanto que, no dia do arrebatamento a igreja sairá da terra para encontrar o Senhor Jesus, nos ares, no Dia da Revelação do Senhor, o Senhor Jesus virá à terra e, dentre outras coisas, julgará as nações.
Portanto - não confunda o dia do arrebatamento da igreja, que acontecerá na primeira fase da segunda vinda do Senhor, com o Dia da Revelação do Senhor, que se dará na segunda fase da segunda vinda de Jesus.
Diferença quanto ao tempo de duração do momento de sua vinda
Na primeira fase de sua segunda vinda, ou seja, no dia do arrebatamento da igreja, no momento de sua vinda, praticamente não haverá tempo de duração.
O arrebatamento acontecerá numa fração de segundo. Será, como disse Paulo –
"Num momento, num abrir e fechar de olhos..."- I Coríntios 15:52.
Este será o tempo de duração do momento referente ao arrebatamento.
Também o Senhor Jesus falando do tempo de duração em que se dará o arrebatamento, disse –
"Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até o ocidente, assim será a vinda do Filho do Homem"( Mateus 24:27).
Assim, porque será num momento tão rápido e não haverá tempo para se preparar - a igreja é advertida a viver sempre preparada à espera do arrebatamento –
"Olhai, vigiai e orai, porque não sabeis quando chegará o tempo"(Marcos 13:33).
Na segunda fase, ou seja no Dia da Revelação do Senhor Jesus, não há referência ao tempo de duração do momento de sua vinda.
João viu esse momento, e o descreveu em Apocalipse 19:11-21. João pôde descrever, com detalhes, tudo o que tinha visto. Um sinal de que não aconteceu como que "num abrir e fechar de olhos" e nem "como o relâmpago".
Portanto, não confunda o dia do arrebatamento da igreja, que acontecerá na primeira fase da segunda vinda de Jesus, com o Dia da Revelação do Senhor Jesus, que se dará na segunda fase de sua segunda vinda.
Diferença em relação ao Anticristo e a Grande Tribulação
O arrebatamento da igreja em relação ao Anticristo e a Grande Tribulação. Como já afirmamos, para nós que somos Pré-Tribulacionistas, o arrebatamento da igreja, ou a primeira fase da segunda vinda de Jesus, acontecerá antes da manifestação do Anticristo. Para nós, a igreja está esperando o Senhor Jesus, e não o Anticristo.
Como a Grande Tribulação, corresponde a última semana de Daniel, ou sete anos, e esse será o tempo do governo do Anticristo, então, também, o arrebatamento da igreja acontecerá antes da Grande Tribulação.
Se assim for, então, com o arrebatamento da igreja, não haverá nenhuma alteração profunda em relação ao mundo. A igreja será tirada da terra, porém, para os que ficarem, a vida vai continuar. Num primeiro momento, o sumiço, ou desaparecimento de tanta gente causará um grande impacto.
A Imprensa terá assunto para muitos dias; porém, depois tudo voltará à normalidade. Não haverá julgamento nem sobre os vivos e nem sobre os mortos. Não será no tempo do arrebatamento da igreja que se cumprirá, Judas, 14-15.
É certo que o Dia da Revelação do Senhor, ou a segunda fase da segunda vinda de Jesus, se dará no final do governo do Anticristo, consequentemente, também no final da Grande Tribulação.
Ao contrário do dia do arrebatamento, no Dia da Revelação, tudo será mudado sobre a terra. Será o fim da Grande Tribulação; o Anticristo e o Falso Profeta serão naquele dia
"...lançados vivos no ardente lago de fogo e de enxofre"- Apocalipse 19:20.
Haverá, portanto, julgamento e condenação. Este julgamento é o que está previsto em Mateus 25:31-46. Este será o julgamento das nações vivas, para determinar aquelas que entrarão no milênio, e aquelas que desaparecerão da face da terra. Naquele dia não haverá ressurreição dos ímpios.
Os mortos ímpios só ressuscitarão e só serão julgados, depois do milênio, perante o trono branco - Apocalipse 20:5,11-15.
Portanto, não confunda o dia do arrebatamento da igreja, que acontecerá na primeira fase da segunda vinda de Jesus, com o Dia da Revelação do Senhor Jesus, que se dará na segunda fase de sua vinda. Haverá um período de sete anos separando estes dois acontecimentos.
Assim, visto algumas das diferenças entre o arrebatamento da igreja, que acontecerá, há qualquer momento, na primeira fase da segunda vinda de Jesus e o Dia da Revelação do Senhor que acontecerá sete anos depois do arrebatamento, na segunda fase da segunda vinda de Jesus; veremos, na sequência, o que irá acontecer nesse dia.
O Dia da Revelação ou a volta triunfal de Cristo
"E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco. O que estava assentado sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro e julga e peleja com justiça"- Apocalipse 19:11.
É nesse dia, visto por João, que acontecerá a volta triunfal de Cristo, conhecida como o Dia da Revelação do Senhor Jesus Cristo. Ocorrerá na segunda fase da segunda vinda de Cristo.
Na sua primeira vinda ele veio humildemente, como homem, conforme escreveu Paulo –
"...não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens"( Filipenses 2:6-7).
Na sua segunda vinda ele não virá em fraqueza, muito menos na "forma de servo". Virá com toda força do seu poder. João o viu, simbolicamente, montado num "cavalo branco".
"Cavalo", na Bíblia, é símbolo de força, de poder. O "branco" fala de sua santidade, pureza, e justiça. O Senhor Jesus falou desse "Dia", e desse momento, e deixou claro que, desta vez, ele não viria em fraqueza –
"Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória"(Mateus 24:30).
Na sua primeira vinda à terra, ele veio para revelar aos homens o amor de Deus –
"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho Unigênito..."- João 3:16.
Porém, na sua segunda vinda ele virá para executar a justiça de Deus, conforme escreveu Judas –
"Eis que é vindo o Senhor com milhares de seus santos, para fazer juízo contra todos e condenar dentre eles todos os ímpios..."( Judas, 14,15).
Na sua primeira vinda à terra, ele entrou em Jerusalém montado num jumentinho, cumprindo a profecia de Zacarias –
"...eis que o teu rei virá, justo e salvador, pobre e montado sobre um jumento, sobre um asninho, filho de jumenta"- ( Zacarias 9:9).
Os judeus se envergonharam dele e não receberam como "seu Rei"-
"Diziam, pois, os principais dos judeus a Pilatos: não escrevas, Rei dos Judeus, mas que ele disse: Sou Rei dos Judeus"(João 19:21).
Porém, na sua segunda vinda ele não virá "pobre e montado sobre um jumentinho", mas, à semelhança dos generais daquela época, João o viu vir montado num "cavalo branco" seguido dos "exércitos que há no céu em cavalos brancos" e "na veste e na sua coxa tem escrito este nome: Rei dos reis e Senhor dos senhores".
Nesse "Dia" nenhum judeu se envergonhará dele
"...e olharão para mim, a quem traspassaram; e o prantearão como quem pranteia por um unigênito; e chorarão amargamente por ele, como se chora amargamente pelo primogênito. Naquele dia, será grande o pranto em Jerusalém, como o pranto de Hadade-Rimon no vale de Megido"( Zacarias:10-11).
Na sua primeira vinda, ele foi levado, como prisioneiro, à presença de dois governadores romanos e humilhado diante deles - Lucas 23:1-25.
Porém, na sua segunda vinda, será a sua vez de humilhar e esmagar os príncipes e os reis da terra, cumprindo-se as profecias do Salmo 2 –
"Os reis da terra se levantam, e os príncipes juntos se mancomunam contra o Senhor... Aquele que habita nos céus se rirá e no seu furor os consumirá ... Tu os esmigalharás com uma vara de ferro, tu os despedaçarás como a um vaso de oleiro...".
A pedra que "foi cortada sem mão" e o Dia da Revelação do Senhor
" Estavas vendo isso, quando uma pedra foi cortada, sem mão, qual feriu a estátua nos pés de ferro e de barro e os esmiuçou. Então, foi juntamente esmiuçada o ferro, o barro, o cobre, a prata e o ouro, os quais se fizeram como a pragana das eiras no estio, e o vento os levou, e não se achou lugar algum para eles; mas a pedra que feriu a estátua se fez um grande monte e encheu toda a terra"(Daniel 2: 34-35).
A estátua vista, em sonhos, por Nabucodonosor, permanece em pé, e estará em pé até o Dia da Revelação do Senhor. A pedra que "foi cortada, sem mão", certamente que é uma figura do Senhor Jesus.
Ele se deslocará do céu à terra naquele dia, sobre o qual João declara –
"E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco. O que estava assentado sobre ele chama-se Fiel e verdadeiro e julga e peleja com justiça. E os seus olhos eram como chama de fogo; e sobre a sua cabeça muitos diademas...".
No Dia da Revelação do Senhor, o Anticristo, pessoalmente, estará no comando de um gigantesco exército formado por cerca de duzentos milhões de soldados, não apenas das nações que comporão o novo Império Romano, mas, também, das demais nações da terra, conforme João declarou ter visto –
"E vi a besta, e os reis da terra, e os seus exércitos reunidos para fazerem guerra àquele que estava assentado sobre o cavalo e ao seu exército"(Apocalipse 19:19).
Será nesse confronto - conhecido como a Batalha do Armagedon - que a pedra que "foi cortada, sem mão" cairá sobre os pés da estátua, ou seja, sobre o sistema governamental corrupto que vem dominando a terra, desde Ninrode.
Será, pois, nesse dia, quando todos "os reis da terra" estarão aliados com o Anticristo - que a grande estátua virará pó.
A prisão do Anticristo e do falso profeta e a derrota dos exércitos das nações
"E a besta foi presa e, com ela, o falso profeta, que, diante dela, fizera os sinais com que enganou os que receberam o sinal da besta e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no ardente lago de fogo e de enxofre"
"E os demais foram mortos com a espada que saia da boca do que estava assentado sobre o cavalo, e todas as aves se fartaram das suas carnes"( Apocalipse 19:20-21).
O alvo visado pelo Anticristo, no comando deste gigantesco exército, será a cidade de Jerusalém. O Senhor Jesus chegará, exatamente quando a cidade já estiver sitiada, e sem qualquer esperança de livramento, humanamente falando. O profeta Zacarias descreve, profeticamente o que acontecerá no Dia da Revelação do Senhor, que ele chama de "naquele dia"- Zacarias 12, 13 e 14.
O Senhor Jesus é reconhecido e recebido, pelos judeus, como Seu Messias
Ele foi rejeitado pelos judeus, como Messias, em sua primeira vinda. Continuou rejeitado nestes dois mil anos. Porém, no Dia da Revelação Ele será recebido, pelos judeus com muitas lágrimas, como o Messias.
O Profeta Zacarias descreveu o encontro de Jesus com os judeus, dizendo –
"E acontecerá, naquele dia, que procurarei destruir todas as nações que vierem contra Jerusalém; e sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o Espírito de graça e de súplica; e olharão para mim, a quem traspassaram; e o prantearão como quem pranteia por um unigênito; e chorarão amargamente por ele, como se chora amargamente pelo primogênito. Naquele dia será grande o pranto em Jerusalém... E se alguém lhe disser: que feridas são essas na tuas mãos? Dirá ele: são as feridas com que fui ferido em casa dos meus amigos"( Zacarias 13:1-6).
Isto acontecerá naquele dia, no dia da volta triunfal de Jesus.
A libertação de Jerusalém descrito pelo Profeta Zacarias
"E o Senhor sairá e pelejará contra estas nações, como pelejou no dia da batalha. E, naquele dia, estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente; e o monte das Oliveiras será fendido pelo meio, para o oriente e para o ocidente, e haverá um vale muito grande; e metade do monte se apartará para o norte, e a outra metade dele, para o sul... então, virá o Senhor. E acontecerá naquele dia, que não haverá preciosa luz, nem espessa escuridão. Mas será um dia conhecido do Senhor, nem dia nem noite será; e acontecerá que no tempo da tarde, haverá luz. Naquele dia, também acontecerá que correrão de Jerusalém águas vivas, metade delas para o mar oriental, e metade delas até ao mar ocidental; no estio e no inverno, sucederá isso. E o Senhor será rei sobre toda a terra; naquele dia, um será o Senhor, e um será o seu nome"- Zacarias 14:3-9.
Assim, o profeta Zacarias, cerca de 520 anos antes de Cristo, falou do Dia da Revelação do Senhor, e do Milênio.
Considerações finais
A Batalha do Armagedon será, pois, o grande acontecimento do Dia da Revelação do Senhor.
No seu final, o Anticristo e o Falso Profeta serão lançados vivos "no ardente lago de fogo e enxofre". Seu gigantesco exército, será inteiramente dizimado.
Na sequência, na visão do Rei Nabucodonosor, "a pedra que feriu a estátua se fez um grande monte e encheu toda a terra"- Daniel 2:35.
Isto fala da implantação do milênio, ou do Governo de Cristo sobre toda a terra, por mil anos.

28 de junho de 2010

Não se deixe enganar

E, estando assentado no Monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos em particular, dizendo: Diz-nos, quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo? E Jesus, respondendo, disse-lhes: Acautelai-vos, que ninguém vos engane; Por que muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo e enganarão a muitos (Mt. 24:3-5).

Estamos vivendo uma época de grandes transformações e não pouca confusão no cenário ético, político, moral e social. Nosso tempo está caracterizado pelos grandes conflitos ideológicos na quebra de conceitos e princípios fundamentais da dignidade humana. As transformações chegam com a velocidade da luz, invadindo a nossa imaginação; as inovações tecnológicas são cada vez mais surpreendentes. Quando estamos começando a nos acostumar com o MP3, eis que chega o MP4! O aparelho de celular que mal falava na década passada, agora se transformou em câmera digital, Palmtop e outras parafernálias a mais. É possível visualizar o mundo na tela do computador, e a comunicação em tempo real com quem está do outro lado do planeta já não é mais coisa de ficção científica. Nossa civilização nunca experimentou tamanho progresso como agora. Os conhecimentos se acumulam e as experiências vão se tornando degraus que sobem cada vez mais alto, rumo ao futuro. Quanta euforia! Viva o desenvolvimento e a capacitação intelectual do ser humano! Mas nem tudo são flores.

Apesar do otimismo, do desenvolvimento tecnológico e da euforia provocada pelo avanço, alguns aspectos fundamentais da humanidade sofreram regressão. O homem moderno pode chegar à Lua, deixar lá suas pegadas, mas não consegue resolver seus conflitos pessoais. É um impotente diante dos desafios que assolam a alma. Muitos vultos históricos da humanidade têm sido verdadeiros gigantes na política, nos negócios, mas têm sido anões morais na intimidade. Para comprovar isso, basta lembrar daquele ex-presidente americano que ficou famoso pelo envolvimento sexual com a secretária, lembra? Um caso extraconjugal que abalou os pilares da Casa Branca. Um dos homens mais poderosos e admirados no cenário mundial, estampado como adúltero!

Alguns políticos tupiniquins também não ficam atrás. Grande parte daqueles que são pagos com dinheiro público para advogar pela dignidade do povo, não possuem a dignidade própria. Ostentam a máscara da piedade, escondendo a face embrutecida da corrupção. A sigla que mais se ouve no cenário político nacional é CPI. A maioria delas com nomes engraçados, do tipo: “CPI do Mensalão” ou coisa do gênero. Tudo parece uma grande piada, se não fosse trágico.

No campo da ética, nosso povo regrediu a um nível que beira ao zero. Ser honesto transformou-se em motivo de zombaria. Uns poucos corajosos que possuem o caráter brilhante de encontrar uma carteira com dólares (muitos dólares) e a devolvem ao legítimo dono, são tachados de idiotas. Acabam sendo discriminados por serem honestos. Que ironia! Dizer a verdade, passou a ser sinônimo de fraqueza e o “levar vantagem em tudo”, a chamada “lei do Gérson”, não é mais só a lei  do Gérson, mas é do João, da Maria, do Fulano e da Fulana.

Os valores estão sendo mudados, os conceitos abandonados enquanto o homem se torna cada vez mais rude, brutal e frio.

E o que dizer do campo espiritual? É justamente aí que as coisas estão complicadas de verdade. O ser humano tem vencido a batalha do saber, do produzir, do edificar, mas por outro lado tem perdido a guerra na alma. Tem decolado no conhecimento científico e tecnológico, mas continua atolado na lama da ignorância espiritual. Satanás inverteu os conceitos para que o homem de hoje esteja cada vez mais confuso e sem rumo. Embora o homem moderno saiba que precisa de algo que preencha seu vazio e satisfaça seus anseios, Satanás insinua que o que ele precisa, na verdade, são as altas posições, o status, a fortuna e a fama. Ledo engano! A procura do homem segue por caminhos sinuosos e decepcionantes, cheios de frustrações em cada esquina. A angústia invade a alma de muitos, levando-os ao submundo das drogas, do alcoolismo e até ao suicídio. Talvez tenhamos aqui a resposta ao fato de termos tantos jovens instruídos, nascidos de famílias ricas, mas que encabeçam a lista dos crimes mais cruéis e brutais que volta e meia aparecem na mídia.

A Palavra de Deus tem respostas para todas as indagações e aponta a solução para a maior necessidade do homem. Quer sejam ricos ou pobres, cultos ou indoutos, novos ou velhos, a Bíblia apresenta a solução para todos, sem distinção. O tema das Escrituras é uma pessoa,  a pessoa de Jesus, o Filho de Deus que veio ao mundo e tornou-se homem (I Tm. 3:16; Jo. 1:14). Sendo Ele o único capaz de mudar a história de alguém, não é de admirar que Satanás tenha procurado cegar a humanidade com suas mentiras, levando o homem a duvidar da veracidade da Bíblia. Não se sabe quantos “evangelhos” ainda serão encontrados e dados ao público. Já somam à grande coleção “o evangelho de Tomé” e “o evangelho de Judas” (quem diria!). Cada um mais fantasioso que o outro. Estórias mirabolantes estão sendo recontadas acerca do Nosso Senhor. Estamos em plena era do descrédito da autêntica e genuína Palavra de Deus.

No início, contra a Igreja Primitiva, o inimigo investiu abertamente contra os discípulos de Jesus. Muitos foram torturados, mortos numa perseguição implacável desencadeada pelo Império Romano, o instrumento eficiente de Satanás. Com o passar dos anos as perseguições ficaram ainda mais acirradas. É impossível calcular o número dos fiéis que foram queimados vivos, nas fogueiras que iluminavam as praças sombrias do paganismo, outros jogados às feras no imponente coliseu romano (que permanece em pé até hoje).

Hoje, não se têm notícias, pelo menos diretamente, de crentes que foram queimados vivos ou jogados aos leões, embora seja evidente a triste realidade que ainda há países onde a igreja é perseguida. A tática destruidora de Satanás hoje é mais sutil, cruelmente disfarçada. Fazendo valer aquela velha frase: “se não posso vencer o inimigo; alio-me a ele”. A arma mais eficiente do diabo nos últimos tempos chama-se engano, que já ultrapassou até mesmo as fronteiras da Igreja de Cristo.

Em Mateus 24:4-8, nosso Senhor advertiu a seus discípulos quanto aos acontecimentos catastróficos do tempo do fim. Jesus enumera muitos perigos assustadores. Mas um perigo em especial, chama-nos à atenção: “Vede que ninguém vos engane...” diz o Senhor. O engano é perigoso, pois ele sempre será sutil. O grande perigo que ronda à Igreja de Cristo não é o Islamismo, Hinduísmo, Budismo ou qualquer outro “ismo” que tenha por aí. Esses nós já sabemos que são advindos de Satanás, e como crentes, imediatamente, rechaçamos suas doutrinas maléficas. O grande perigo ameaçador está dentro da própria igreja. Não se assuste, ele está lá! O evangelho adulterado, que não é o Evangelho de Cristo (Rm. 1:16; Gl. 1:8-9), este é o maior perigo do nosso tempo. Ele convive paralelo ao Evangelho restaurador, mas seu objetivo é manter multidões tão ocupadas e satisfeitas consigo mesmas, que não valorizam o sacrifício expiador de Cristo.
Nesse evangelho falsificado, mascarado pela mentira, não se ouve falar sobre pecado, salvação, perdão, arrependimento. As palavras preferidas nesse evangelho de meia tigela são “fogueira santa”, “corredor das bênçãos”, “cantinho dos milagres”, “culto da prosperidade” e até mesmo, pasmem, “sal grosso”.

A chamada “indústria da fé” com as suas multinacionais estão avançando assustadoramente. As igrejas do “sucesso absoluto” estão por toda parte usando o sagrado nome de Deus, assim como fez a Igreja Católica Apostólica Romana na Idade Média, que ludibriou milhões de miseráveis, roubando-lhes o pouco que tinham em troca de indulgências (perdão dos pecados). Hoje, o comércio inescrupuloso da fé é mais sofisticado. Vai da “rosa vermelha”, passando pelo “óleo ungido” até chegar na “água do Rio Jordão”. Quanta imaginação! O engano doutrinário é como uma erva daninha que cresce no trigal de Deus. Hoje, estamos no tempo do “parece mas não é” (Mt. 13:24-29).

Se somos cristãos autênticos, então é hora para vivermos e assumirmos o que somos. Não há tempo para brincadeiras de “igrejinha”. Estamos em meio à uma guerra travada. É hora de cessarmos com as “picuinhas domésticas” que muitas vezes criamos por falta do que fazer, e partirmos decisivamente para a luta.

Há muito por fazer enquanto o Senhor não vem.

Os judeus serão salvos?

Sim! Não só serão salvos no futuro, como também podem sê-lo no presente. Entretanto esta última situação tem sido mais difícil devido o endurecimento natural que existe por sua incredulidade. Devemos entender que Deus tem um relacionamento especial com este povo (assim como tem com a sua Igreja que é diferente de Israel), pois por Sua misericórdia o elegeu e separou dentre todos os povos para ser o Seu povo. Esta é a tônica do livro de Gênesis e a proposição da promessa abraâmica (Gn 12:1-3). A promessa de Deus à Abraão possui um aspecto territorial e étnico (nação – Gn 12:2) e foi estabelecida de forma incondicional e eterna (Gn 17:7-8), sendo confirmada aos seus herdeiros Isaque (Gn 26:3,4), Jacó (Gn 28:13,14) e ampliada à Davi (1º Sm 7:12-16). Portanto o Senhor tem um compromisso de fidelidade para com este povo. Contudo o povo rebelou-se contra o Senhor (cf. Jr 8:4-8) e foi, por isso, exilado. Mas, antes de cumprir o Seu juízo, o Senhor trouxe uma esperança sobre um “remanescente” (cf. Is 4:2-6; 6:13) e uma “nova aliança” (cf. Jr 31:33-34), na qual afirma: “todos me conhecerão”. De fato, o Messias, o Senhor Jesus Cristo, veio e os judeus não o reconheceram (cf. Jo 1:11). Paulo afirmou esta mesma verdade na sua epístola aos Romanos (cf. Rm 10:16-21). Em virtude da rejeição de Jesus como Messias, pensa-se que os judeus foram rejeitados, ou seja, perderam a oportunidade de serem salvos. Se esta for uma concepção correta, o que dizer das promessas de caráter eterno de que eles são povo e nação exclusiva de Deus? (Lembre-se de que Israel não é a mesma coisa que Igreja!). Paulo explica esta situação no capítulo onze de Romanos. Observe os seguintes versos: “Deus não rejeitou o seu povo, a quem de antemão conheceu” (v. 2a); “Assim, pois, também agora, no tempo de hoje, sobrevive um remanescente segundo a eleição da graça” (v. 5). Paulo argumenta ainda que a rejeição deles pelo Messias trouxe-nos um grande benefício, visto que fomos alcançados pela graça, apesar desta verdade já estar incluído na promessa abraâmica. Observe o que diz o verso 11: “Mas, pela sua transgressão, veio a salvação aos gentios, para pô-los em ciúmes”. Este endurecimento, ou seja a rejeição de Israel em reconhecer Jesus como Messias, não é final, mas até ao momento quando completar “a plenitude dos gentios” (cf. Rm 11:25). Neste momento, o Senhor retornará a sua lida com o Seu povo segundo a declaração do apóstolo (Rm 11:26-29): “E, assim, todo o Israel será salvo, como está escrito: Virá de Sião o Libertador e ele apartará de Jacó as impiedades. Esta é a minha aliança com eles, quando eu tirar os seus pecados. Quanto ao evangelho, são eles inimigos por vossa causa; quanto, porém, à eleição, amados por causa dos patriarcas; porque os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis”. Este é um assunto por demais extenso, mas espero ter sido claro e sintético na exposição.

11 de junho de 2010

Exegese, Hermenêutica e Homilética

O QUE É EXEGESE ?
O processo pelo qual o intérprete visa o texto bíblico em busca de sua história e do seu sentido primeiro.
O papel da exegese é através da consciência de onde veio buscar interpretar o sentido que o texto teve no seu contexto e como ele pode servir para mim hoje.
Na exegese bíblica busca-se estabelecer o significado do texto e realizar uma averiguação subjetiva dos resultados, procurando desenvolver métodos para superar as dificuldades encontradas na compreensão de um texto bíblico. A exegese deve evitar soluções simplistas, mas seguir rumos históricos e críticos. Contudo, as diferentes formas de leitura se distinguem pela finalidade e pela intensidade do estudo, pelo grau de reflexão, etc.
Exegese é diferente de "eisegese", neste processo o interprete projeta sobre o texto as suas próprias ideias.
O QUE É HERMENÊUTICA ?
É a ciência da interpretação (busca o recurso da interpretação do texto). Ciência que objetiva a compreensão dos sentidos que marcam um texto. A Bíblia não pode e nem deve ser interpretada ao bel-prazer. A interpretação bíblica requer princípios aceitos pela ortodoxia bíblica.
Não esqueça os livros lemos para saber o que tem na alma do autor, a Bíblia lemos para saber o que temos na nossa alma.
A partir da hermenêutica percebemos que há uma distancia entre texto e leitor:
O QUE É HOMILÉTICA ?
A Homilética é ciência que ensina como preparar e comunicar sermões, a arte de pregar. A homilética é um instrumento que ajuda o pregado a organizar os pensamentos de tal forma que facilita a exposição do sermão, porém de forma alguma anulará a inspiração do Espírito Santo. A preleção nos possibilita diferentes formas e possibilidades de elocução Homilética. A Homilética envolve toda a pregação e a liturgia do culto. "O conhecimento da forma ao corpo do sermão, enquanto que a unção do Espírito é a vida deste corpo" IIPe.3,18.
A palavra homilética vem do grego, "homiletike", e significa ensino, conversa, assim nos dias apostólicos a pregação cristã era feita nas casas em forma de conversação.
É preciso atentar que pregar não é apenas fazer discurso, mas é falar em nome daquele que nos enviou – Deus ICo.1,21; Is.52,7; Rm.10,15 . O conceito bíblico de pregação é o anuncio das Boas Novas do Evangelho. Para a proclamação do kerigma, isto é, da mensagem que deve ser obtida na dependência do Espírito Santo, sabendo-se que, quem prega fala da parte de Deus. Outra questão relevante refere-se à vida do pregador. Aquele que prega necessita que sua vida seja coerente com aquilo que ele fala. Segundo Josué Gonçalves "VIVER PREGANDO E PREGAR VIVENDO", as nossas atitudes dizem muito mais que nossas palavras. A credibilidade e a autoridade do pregador esta no viver o que prega e isto significa que primeiro a mensagem fez efeito na nossa vida e podemos falar com convicção, ser testemunha, oferecer algo provado e aprovado, caso contrário corremos o risco de agir com hipocrisia. Por exemplo, um pregador ministra sobre harmonia familiar e a palavra não condiz com sua vida prática, corre o risco de ser desacreditado.
Além disso, para ser bem sucedido neste ministério é preciso ser chamado por Deus, isto é, vocacionado para esta obra Ef,4,11 "Ele mesmo deu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, outros para pastores e mestres". Todos os salvos foram chamados com uma vocação, porém existe a chamada especifica. Para ser um bom obreiro é preciso compreender sua chamada e a sua vocação.
A prática do exercício da pregação exige sacrifícios, tais como oração, estudo, dedicação, comunhão, entre outros. Devido este esforço muitos tem se acorvadado e negligenciado a tarefa. Que Deus levante em nosso meio, homens e mulheres com a disposição do apóstolo Paulo, com intrepidez e compromisso. Assim sendo, o Evangelho continuara transformando e abençoando vidas.

4 de junho de 2010

Pastores da telinha. Decada de 70/80

Pastores da telinha

Pare e dê uma olhada na sociedade brasileira dos anos 70 até nossos dias. Veja as conseqüências do que se pode chamar de modernização e não esqueça de suas bases capitalistas. Constate suas transformações e como elas afetaram diretamente a forma de discurso das igrejas.
A modernização trouxe alguns questionamentos para as igrejas em nível ideológico, como seu desempenho na sociedade moderna. Realmente, frente a tantas mudanças, o trabalho das denominações religiosas com a nova sociedade massificada tornou-se praticamente nulo. O que quase obrigou a igreja a repensar sua forma de abordagem e renovar algumas peculiaridades para não perder seus fiéis.
Segundo Felix Wilfred, em artigo para a Revista Internacional de Teologia, as religiões em fase da globalização teriam que passar por uma metamorfose. Noutras palavras, transformar-se numa religião com embalagem atraente para ser acoplada pela aldeia global.
Além das mudanças, surge a competição ideológica. As igrejas não enfrentam apenas a sociedade moderna, mas a indústria cultural. A força desta indústria só tem aumentado se tornando uma briga desleal para igreja. É a mídia que passa a definir os padrões éticos da sociedade. Exatamente a área de atuação da igreja. 
O ditado "se não pode com ele, junte-se a ele" surgiu como uma alternativa; e assim se fez. E eis que para igreja tudo pareceu muito bom. Cunhou-se assim o nostálgico termo "igreja eletrônica", que compreende a explosão dos programas religiosos, em especial evangélicos.
Vale lembrar que a televisão brasileira começou com um padre, o Frei Mojica. Este surgiu no vídeo cantando seus antigos sucessos, na primeira transmissão da TV Tupi de São Paulo, em julho de 1950. 
Uma década à frente, figuras de televangelistas, como Rex Humbard, Jimmy Swaggart, Pat Robertson e Benhard Johnson se tornaram "parte da família" de milhares de lares brasileiros. Os programas eram transmitidos geralmente aos sábados ou domingos pela manhã, campeões de audiência entre o público cristão. Suas características? Carisma, eloqüência, emoção. Enfim, comunicadores em potencial. 
Nos Estados Unidos, a igreja eletrônica ganhou força na década de 60, no meio da tensão e confusão social causada pela Guerra do Vietnã. Geralmente as igrejas ficavam repletas depois de abalos como este. As pessoas buscavam paz e segurança em Deus. Essa explosão foi reflexo da insegurança da época, como ocorreu após o atentado terrorista de 11 de setembro.
Com a onda de religiosidade e misticismo exacerbada, os pastores perceberam que a TV era uma forma eficaz para alcançar maior número de pessoas. A pregação passaria a ser em larga escala, alcançando mais resultados que os cultos. Com todo o clima a favor das igrejas, a idéia rapidamente se alastrou pelos Estados Unidos e por todo o mundo, até chegarem ao Brasil.

O pioneiro 

O pastor Rex Humbard era mais que um pastor, um gênio de acordo com Carlos Cabral, em artigo para a revista eletrônica Telecentro. Conseguia reunir multidões nos estádios e auditórios. Sua função era pregar, gritar, chorar e arrecadar dinheiro, é claro.
Humbard foi o primeiro a deixar sua marca na TV brasileira. Sua pregação era conservadora e seu discurso baseado nos valores familiares. Como testemunho, sua família também participava dos programas. Maudee Aimee, seus dez filhos e dezenas de netos, todos em trajes comportados, cantavam hinos com o pregador.
Seu apogeu foi marcado em 1982 quando colocou 180 mil pessoas dentro do Maracanã, no Rio. Rex Humbard também ficou famoso por ter sido o pastor de Elvis Presley em seus últimos anos de vida e juntamente com o reverendo C. W. Bedley dirigiu a cerimônia fúnebre do cantor.
Foi Humbard que trouxe a benção do copo d'água a distância. Usada até hoje num dos programas da Record, em que um pastor abençoa o copo com água de todos os telespectadores. Ele começou sua carreira na Tupi, mas com o fechamento da TV outros canais começaram a transmitir seus programas.

Digno de Hollywood 

Com o tempo, apareceram alguns sucessores. Surgia no vídeo de outras emissoras mais um pastor. O principal dele era Jimmy Swaggart, o showman da fé. Ele viajava o mundo fazendo seus milagres. 
Com seu um metro e oitenta, cabelos louros e pelo jeito bem "enxuto" como diriam algumas fiéis - ou fãs, como queira -, Swaggart também conquistou multidões com seu talento. Além de pregar, ele cantava, chorava, gesticulava e fazia suas interpretações diante das câmeras. Quando Swaggart esteve no Maracanã, em 1987, teve direito a limusine, batedores, camarim, plumas e paetês. Um verdadeiro astro hollywoodiano.
Ele era pastor da Assembléia de Deus em Baton Rouge, Chicago. Sua pregação, carregada de apelo emocional, transmitia a ideologia norte-americana. Além de pregar contra o comunismo, Swaggart financiou a campanha contra o governo sandinista da Nicarágua.
Houve até comentários que ele seria o sucessor natural de outra figura do televangelismo, o pastor batista Billy Graham, que viajou o mundo fazendo seus programas religiosos e se consagrando uma mega-estrela deste segmento.


Escândalos


Em 1981, surgia Roberto Lemgruber. Na verdade, ela era mais milagreiro que pregador. Curava cegos, surdos e mudos e aumentava audiência do programa O Povo na TV, no então recém-nascido SBT. Até que alguém descobriu o farsante. Suas curas não eram verdadeiras. Lemgruber fez seu último "milagre" e desapareceu.
Com o passar do tempo, escândalos como este foram surgindo. Além das farsas, problemas financeiros e morais marcaram o fim da igreja eletrônica. Ao contrário de Billy Graham, que manteve sua integridade pessoal, Jimmy Swaggart se envolveu em um escândalo sexual de repercussão mundial. Depois de comprar briga com o pastor Bakker, acabou pagando o preço. O pastou flagrou Swaggart entrando num motel com diversas prostitutas. Diante da cena, ele só teve o trabalho de confessar. O programa logo saiu do ar no Brasil. Este foi só um dos casos.
Mesmo que a igreja eletrônica da década de 60 e 70 tenha desaparecido, ela foi a grande propulsora dos programas evangélicos que invadem a TV atualmente. O televangelismo deste pastores foi também precursor do surgimento de uma igreja que em 1977 surgiu para revolucionar tudo o que existia na TV.
Começando no subúrbio do Rio, o famoso bispo Edir Macedo Bezerra passou a ocupar os horários das rádios e televisores do País. Algum tempo depois, a Igreja Universal do Reino de Deus comprou um canal na TV aberta e passou a concorrer com as grandes emissoras.
Assim, a religião se tornou parte da indústria cultural. Uma coisa é certa: quanto mais sentidos são estimulados numa pessoa, menos eficaz é a mensagem. A TV, em certo sentido, atinge todos. A mensagem é tão mastigada e pronta que não permite uma mínima reflexão. Assim, as igrejas começaram a trabalhar como uma empresa. E como a indústria cultural faz da cultura, um bem que se vende para a obtenção de lucro

Tipos de pregadores do evangelho.

Conheçamos alguns tipos de pregador e seus públicos-alvos:
PREGADOR HUMORISTA
Diverte muito o seu público-alvo. Tem habilidade para contar fatos anedóticos (ou piadas mesmo) e fazer imitações. Ele é como o famoso humorista do gênero stand-up comedy Chris Rock (que aparece na imagem acima). De vez em quando cita versículos. Mas os seus admiradores não estão interessados em ouvir citações bíblicas. Isso, para eles, é secundário.
PREGADOR “DE VIGÍLIA”
Também é conhecido como pregador do reteté. Aparenta ter muita espiritualidade, mas em geral não gosta da Bíblia, principalmente por causa de 1 Coríntios 14, especialmente os versículos 37 e 40: “Se alguém cuida ser espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor... faça-se tudo decentemente e com ordem”. Quando esse tipo de pregador (pregador?) vê alguém manejando bem a Palavra da verdade (2 Tm 2.15), considera-o frio e sem unção. Ignora que o expoente que agrada a Deus precisa crescer na graça e no conhecimento (2 Pe 3.18; Jo 1.14; Mt 22.29). Seu público parece embriagado e é capaz de fazer tudo o que ele mandar.
PREGADOR “DE CONGRESSO”
Entre aspas porque existe o pregador de congresso que faz jus ao título. Mas o pregador “de congresso” anda de mãos dadas com o pregador “de vigília”, mas é um pouco mais famoso. Segundo os admiradores dessa modalidade, trata-se do pregador que tem presença de palco e muita “unção”. Também conhecido como pregador malabarista ou animador de auditórios, fica o tempo todo mandando o seu público repetir isso e aquilo, apertar a mão do irmão ao lado, beliscá-lo... Se for preciso, ele gira o paletó sobre a cabeça, joga-o no chão, esgoela-se, sopra o microfone, emite sons de metralhadora, faz gestos que lembram golpes de artes marciais... Exposição bíblica que é bom... quase nada!
PREGADOR “DE CONGRESSO” 2
Existe um tipo de pregador “de congresso” mais agressivo. É aquele que tem as mesmas características do pregador anterior, mas com uma “qualidade” a mais. Quando percebe que há no púlpito alguém que não repete os seus bordões, passa a atacá-lo indiretamente. Suas principais provocações aos seus “desafetos” são: “Tem obreiro com cara de delegado”, “Hoje a sua máscara vai cair, fariseu”, “Você tem cara amarrada, mas você é minoria”. Estas frases levam o seu fanático público ao delírio, e ele se satisfaz em humilhar as pessoas que não concordam com a sua postura espalhafatosa.
PREGADOR POPSTAR
Seu pregador-modelo é o show-man Benny Hinn, e não o Senhor Jesus. É um tipo de pregador (pregador?) admirado por milhares de pessoas. Já superou o pregador “de congresso”. É um verdadeiro artista. Veste-se como um astro; sua roupa é reluzente. Ele, em si, chama mais a atenção que a sua pregação. É hábil em fazer o seu público abrir a carteira. Seus admiradores, verdadeiros fãs, são capazes de dar a vida pelo seu pregador-ídolo. Eles não se importam com as heresias, modismos e maus exemplos que ele propaga. Trata-se de um público que supervaloriza o carisma, em detrimento do caráter.
PREGADOR MILAGREIRO
Também tem como paradigma Benny Hinn, mas consegue superar o seu ídolo. Sua exegese é sofrível. Baseia-se, por exemplo, em 1 Coríntios 1.25, para pregar sobre “a unção da loucura de Deus”. Cativa e domina o seu público, formado por pessoas que não estão interessadas em ouvir uma exposição bíblica; o que mais elas desejam é ver sinais e fenômenos controversos. Em geral, o pregador milagreiro, além de ilusionista e “poderoso” (Dt 13.1-4), é aético e sem educação. Mesmo assim, ainda que xingue ou ameace os que se opõem às suas sandices e invencionices, o seu público é fiel e sempre diz “aleluia”.
PREGADOR CONTADOR DE HISTÓRIAS
Conta histórias como ninguém, mas não respeita as narrativas bíblicas, acrescentando-lhes pormenores que comprometem a sã doutrina. Costuma contextualizar o texto sagrado ao extremo. Ouvi certa vez um famoso pregador dizendo: “Absalão, com os seus longos cabelos, montou na sua motoca e vruuum...” Seu público — diferentemente dos bereanos, que examinavam “cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (At 17.11) — recebe de bom grado histórias extrabíblicas e antibíblicas.
PREGADOR “MASSAGISTA”
É hábil em dizer palavras que massageiam os egos e agradam os ouvidos (2 Tm 4.1-5). Procura agradar a todos porque a sua principal motivação é o dinheiro. Ele não tem outra mensagem, a não ser “vitória”, principalmente a financeira. Talvez seja o tipo de pregador com maior público, ao lado dos pregadores humorista, popstar e milagreiro.
PREGADOR SEM GRAÇA
É aquele que não tem a graça de Deus (At 4.33). Sua pregação tem bastante conteúdo, mas é como uma espada: comprida e “chata” (maçante, enfadonha). Mas até esse tipo de pregador tem o seu público, formado pelos irmãos que gostam de dormir ou conversar durante a pregação...
PREGADOR CHAMADO POR DEUS
Existem poucos exemplares desse tipo de pregador, o qual corre perigo de extinção. Ele prega a Palavra de Deus com verdade (2 Tm 4.4,5); foi chamado por Deus para fazer isso e é fiel à sua chamada (1 Tm 2.7). Estuda a Bíblia diariamente. Ora. Jejua. É verdadeiramente espiritual. Tem compromisso com o Deus da Palavra e com a Palavra de Deus. Seu paradigma é o Senhor Jesus Cristo, o maior pregador que já andou na terra. Ele não prega para agradar ou agredir pessoas, e sim para cumprir o seu chamado. Seu público — que não é a maioria, posto que são poucos os fiéis (Sl 12.1; 101.6) — sabe que ele é um profeta de Deus. Esse tipo não chama muito a atenção das agências de pregadores. A bem da verdade, estas também sabem que nunca poderão contar com ele...
Ciro Sanches Zibordi

3 de junho de 2010

Pregação ou palhaçada?

Tá virando moda hoje em dia . . . um artista sai da mídia, e como ultima saída para não cair no esquecimento, ele se "converte", e sobe no altar com esse perfil que vocês podem ver.

Que Deus tenha misericórdia.Abaixo coloco um vídeo, que na minha opinião é um verdadeiro desrespeito com a Igreja e a Palavra de Deus.

2 de junho de 2010

Diferença entre a bíblia católica e protestante

A diferença entre a bíblia católica e a bíblia protestante é que naquela católica há 7 livros do Antigo Testamento que não existem na versão protestante. Esses livros são:
* Tobias
* Judite
* Sabedoria
* Eclesiástico
* Baruc
* 1 Macabeus
* 2 Macabeus
(além de trechos de Ester e Daniel - Ester 10,4-16,24; Daniel 3,24-90; 13-14).
Responder a sua pergunta significa entender porque esses livros não entraram na bíblia protestante. É importante dizer que se entendemos bíblia protestante como aquela pensada por Lutero, não é verdade que esses livros não estavam ali. Lutero os traduziu para o alemão, mas os colocou como um anexo, chamando-os de “apócrifos”. O mesmo lutero relativisou o valor também de outros livros como a Carta aos Hebreus, Carta de Tiago, Carta de Judas e o Apocalipse, mas esses livros não foram excluídos da bíblia protestante.
Deixando de lado a discussão sobre os livros do Novo Testamento, a questão sobre os 7 livros excluídos (ou inseridos!) do Antigo Testamento é muito antiga; é da época da igreja nascente, do primeiro século da era cristã.
Esses 7 livros foram escritos em grego e faziam parte da versão chamada “setenta”, que é uma tradução da bíblia hebraica para o grego, feita aproximadamente 200 anos antes de Jesus, no Egito. Essa versão da Bíblia continha todos os livros em hebraico do Antigo Testamento, traduzidos em grego, e também os 7 livros em questão. A comunidade cristã, no início, quando ainda não existiam os escritos do Novo Testamento, usava essa bíblia. O mesmo conjunto de livros era usado pelos judeus. Todavia, os judeus, em 89 depois de Cristo, fizeram um concílio e nessa época decidiram excluir da própria Bíblia os 7 livros em questão. O critério que motivou tal exclusão foi sobretudo a língua: os livros não eram escritos em hebraico e por isso não podiam ser considerados inspirados. Os cristãos, apesar disso, continuaram por sua estrada, usando tais livros.
É preciso, contudo, ter presente que a Bíblia não foi sempre a mesma durante os séculos. A lista dos livros que fazem parte dela foi definida durante os séculos e trata-se de um processo lento, concluído somente no período da Reforma, com Lutero e o Concílio de Trento. Foi nesse período que Lutero decidiu seguir a decisão dos judeus e invés a igreja católica, conforme as decisões do Concílio de Trento, seguiu a tradição, continuando a inserir na própria bíblia os 7 livros. A definição desta lista (chamada cânon) está intimamente ligada com o tema da inspiração, ou seja, saber se a obra escrita é inspirada ou não por Deus. Se é inspirada entra no cânon, caso contrário fica fora.

Qual o significado dos 4 animais em apocalipse?

O texto do Apocalipse diz: À frente do trono, havia como que um mar vítreo, semelhnante ao cristal. No meio do trono e ao seu redor estavam quatro Seres vivos, cheios de olhos pela frente e pro trás.


Esse simbolismo é inspirado em Ezequiel 1,5-21. Trata-se de 4 anjos que controlam o governo do mundo físico. Além disso 4 é o número cósmico (os 4 pontos cardeais). Os numerosos olhos simbolizam a ciência universal e a providência de Deus. Eles adoram a Deus e lhe tributam glória por sua obra criadora. Suas formas, como se lê no versículo seguinte (4,7), são Leão, novilho, homem e águia. Essas formas são consideradas símbolos, respectivamente, daquilo que tem de mais nombre, de mais forte, de mais sábio e de mais ágil na criação. Irineu, algum tempo depois, criou a tradição de ver nesses símbolos os 4 evangelistas.
Essas 4 figuras sustentam o trono sobre o qual Deus está sentado. O mais importante é exatamente notar como adoram a Deus, dando a ele glória. O universo se põe a serviço da obra potente de Deus.
Todo o Apocalipse é caracterizada por uma simbologia muito rica, que não tem como objetivo assustar os leitores, mas transmitir uma mensagem de esperança, usando uma linguagem que, embora a nós hoje parece estranha, era muito eficaz e conhecida pelos destinatários do livro.