25 de julho de 2015

Thalles Roberto deixa carreira gospel

Caio Fábio fala sobre a decisão do cantor gospel Thalles Roberto, em deixar a música gospel e voltar para a carreira secular.



5 de julho de 2015

Diferença Entre Fé e Religião

A religião é definida e compreendida como "um conjunto de crenças relacionadas com aquilo que a humanidade considera como sobrenatural, divino e sagrado, bem como o conjunto de rituais e códigos morais que derivam dessas crenças", da não se pode dizer o mesmo. A é fundamentalmente resposta a uma proposta feita à liberdade do ser humano, que é a ela chamado a responder com todas as dimensões de seu ser. Trata-se, portanto, de um momento segundo, posterior, assentimento a algo proposto anteriormente por outro. Crer não é, portanto, iniciativa humana que busca um espaço para desaguar suas inquietudes e frustrações, mas pelo contrário, atitude fundamental de recepção, aceitação, que gera então entrega, compromisso e empenho radical da vida.

Todo o sentido, toda a importância e a relevância da fé, portanto, vêm do fato de ser uma experiência que secunda uma proposta que vem de Alguém. Alguém não é igual à mim ou a todos. O mais importante na dinâmica de fé é, pois de quem é a proposta à qual se responde e que conseqüências este crer desencadeia em minha vida. Respondendo a esta questão, chega-se ao que a Teologia Fundamental denomina Revelação.

A religião seria, então, o suporte doutrinal, ritual, moral no qual essa fé se expressará dentro de uma sociedade que é humana e tem necessidade de organizar suas experiências mais importantes. A religião se torna instituição e isso é de extrema importância para que a fé das gerações vindouras encontre um espaço e uma comunidade onde tenha apoio e condições para o seu crescimento.

18 de maio de 2015

Meu Deus e meu conflito

“Meu Deus e meu conflito”. Teologia e literatura

Para o professor Waldecy Tenório, o sagrado e o profano se encontram na literatura, sendo a poesia a última forma de êxtase

Por: IHU Online


Ao falar sobre a ligação entre teologia e literatura, o professorWaldecy Tenório, do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP), considera profundas as relações entre essas duas áreas. “Dessas que se dão nas camadas subterrâneas do texto. E os teólogos e os críticos, mais do que nunca, estão descobrindo isso”, afirmou, em entrevista concedida por e-mail para a IHU On-Line. Para ele, “não seria possível desconhecer o encontro entre a fé e o ceticismo no interior da literatura”.
Tenório é graduado em Letras Clássicas com doutorado em Filosofia pela Universidade de São Paulo. É autor de A bailadora andaluza: a explosão do sagrado na poesia de João Cabral(São Paulo: Ateliê Editorial, 1996) e de ensaios publicados na grande imprensa e em revistas acadêmicas nacionais e internacionais sobre as relações entre literatura e teologia. Atualmente, atua como professor associado da PUC-SP e é pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da USP.
IHU On-Line - Como foram no passado e como se desenham hoje as relações entre literatura e teologia?
Waldecy Tenório
 - Se fizéssemos essa pergunta ao evangelista João, ele certamente diria que no princípio era o Verbo, e não estaria dizendo pouco. Quer dizer, essa relação entre literatura e teologia já aparece na origem, ou na aurora do mundo, como se fosse uma culpa ou um pecado original. Na antigüidade grega, encontramos a doutrina do entusiasmo, que associa a inspiração poética à profecia ou mesmo à possessão por um Deus. No mundo judaico, não se concebe a escrita a não ser dentro de uma ligação muito forte com o divino. O profeta Ezequiel engoliu “goela abaixo” o rolo de um livro e ainda teve de antecipar o prazer do texto de Roland Barthes  dizendo, meio sem graça, que o livro lhe era doce como o mel. É claro que não podemos esquecer os poemas que são os textos fundantes de outras grandes tradições religiosas, como, por exemplo, o Bhagavad-Gita.  Mas se, por uma questão de método, permanecermos na trilha judaico-cristã, vamos encontrar, a seguir, esse monumental biografema, as Confissões de Santo Agostinho, a empresa editorial de São Jerônimo, a escola de Hugo de San Victor, Dante, São João da Cruz, Teresa d’Ávila, Sóror Juana Inês... E depois - não dá para lembrar tudo - Derrida  vem nos dizer que a letra é sempre roubada e o Deus bíblico transmigra para a literatura profana, se esconde na poesia, se disfarça no romance e, por vezes, dá as caras no cinema. Por que já se pôde dizer que o Ulysses de Joyce  é um romance teológico? Porque o Deus bíblico é esperto, deixa rastros, e isso de propósito, para não o esquecermos, para ficarmos sempre no seu encalço, nessa agonia que vitimou desde os antigos profetas até uma Simone de Beauvoir:  “onde está ele?”. O fato é que o sagrado e o profano se encontram na literatura, sendo a poesia a última forma de êxtase ou, como diz Murilo Mendes,  a transubstanciação do leigo no sagrado. Então, resumindo: foram e são relações profundas, essas que se dão nas camadas subterrâneas do texto. E os teólogos e os críticos, mais do que nunca, estão descobrindo isso.
IHU On-Line - São relações pacíficas ou literatura e teologia são “irmãs inimigas”? Por quê?
Waldecy Tenório
 - Pacíficas nunca foram, nunca serão, e é bom que assim seja. Elas poderiam subscrever, juntas, aquele famoso verso de Petrarca,  que começa assim: “Pace no trovo” (não tenho paz), e termina dizendo que “non ho da far guerra” (não posso fazer a guerra). As duas têm a mesma idade, nasceram na mesma época, a poesia era a alma dos ritos religiosos. Com o tempo, a teologia foi se transformando numa senhora sisuda, muito respeitável, uma velhinha que não tira nunca o véu da cabeça, enquanto a outra parece mais jovem, irreverente, a louca da casa, de reputação às vezes duvidosa, e é claro que isso acabou por criar um certo conflito ou uma certa desconfiança entre as duas. Mas acredito que a principal razão disso é que uma tem ciúme da outra porque ambas são apaixonadas pelo ser humano. O ciúme as faz viver de pé atrás, às vezes nem se olham, de forma que, parodiando Bernard Shaw,  quando elas se beijam é porque não podem se morder. Essa tensão foi captada por Drummond  quando escreve esse verso que soa como a encruzilhada do eu lírico desesperado: “Meu Deus e meu conflito”. Ora, esse conflito é muito rico, não pode ser jogado fora nem por uma “literatura edificante” nem por uma “religiosidade melosa” do tipo new age. Por isso é bom que as comadres continuem assim, desconfiando uma da outra.
IHU On-Line - Há um certo distanciamento entre teólogos e críticos literários. O que acontece? Dogmatismo, positivismo, ateísmo ou desconhecimento mútuo?
Waldecy Tenório
 - É tudo isso mesmo que se reúne na pergunta, esse coquetel Molotov, cujo ingrediente mais forte é justamente o dogmatismo. Isso é uma doença que vem de longe e contra ela não existe vacina. De um lado, o dogmatismo teológico. Disse antes que, na origem, há cumplicidade entre literatura e teologia. Só como exemplo, lembremos os poetas teólogos de Platão e os cantos líricos em louvor da divindade. Começa assim essa história, e vai indo muito bem, até que a teologia se converte em doutrina e se começa a falar em Verdade, assim, com maiúscula. Ora, diante de alguém que fala desse jeito, o outro é sempre suspeito e passível de condenação. É assim que o teólogo vai se transformando num comissário, guardião de uma doutrina, único depositário da verdade. O crítico literário, por sua vez, é envolvido pelo que já se chamou de o “demônio da teoria”, e esse demônio sempre se disfarça no interior da ideologia da época: o racionalismo, o positivismo, o ateísmo... E aí, quando os demônios põem as garras de fora, acontece uma pororoca: o encontro do dogmatismo religioso com o dogmatismo laico, e então entram em cena as famosas hermenêuticas redutoras. Para piorar as coisas, os teólogos têm um vício muito antigo e insuportável: estão sempre procurando uma ancilla, na pior das hipóteses, um sacristão alfabetizado para ser portador de uma “mensagem”. A literatura, que segundo Barthes, desafia o Pai Político e o Pai Religioso, não aceita esse papel. E o que acontece? Platão expulsa os poetas da República, o Papa os ameaça com a excomunhão e o secretário-geral do Partido diz que são reacionários porque não adotam as “posições corretas” do Grande Irmão. Quando se encontram, teólogos e críticos literários só podem ficar mesmo meio ressabiados e distantes, no mínimo, sem jeito. Diálogo? De um lado, um risinho amarelo – filosófico -, do outro, um risinho amarelo - teologal. E fica nisso.
IHU On-Line - Quando se fala em literatura e teologia, a Igreja é sempre lembrada. Essa lembrança se dá em termos positivos ou negativos. Por quê?
Waldecy Tenório
 - Essa pergunta é um convite para um pequeno passeio pela história da intolerância religiosa. Os que gostam de erudição poderão começar pelo brado retumbante de Tertuliano:  “O que há entre Atenas e Jerusalém?”. Mas não precisamos ir tão longe porque o dogmatismo e o fanatismo são venenos que chegam até os nossos dias. Não é raro se ouvir um inacreditável “Não vi e não gostei” vindo do interior de alguma sacristia ou, se dormirmos no ponto, de alguma repartição pública, para ensinar como é que o romance ou o teatro devem tratar de algum tema. Saramago  é um exemplo, sofreu isso recentemente. Quem não se horroriza, pois, só de pensar naqueles “leitores terríveis” de que nos fala Octavio Paz?  O arcebispo que perseguia Sóror Juana Inês  era um deles. Tudo isso contribui para reforçar o lado negativo da Igreja, quando se trata de pensar a relação entre literatura e teologia. Mas precisamos ver também o outro lado, o mal não reina assim absoluto. É muito significativa a história de Walter Miller  sobre os monges que decoravam os livros a fim de preservá-los para o dia em que os homens tivessem a nostalgia da cultura, o que evidentemente nos faz lembrar os monges e os livros na Idade Média. De modo que nem tudo é obscurantismo. Podemos lembrar a esse respeito um célebre encontro entre Graham Greene  e o Papa Paulo VI.  Lá pelas tantas o escritor lembrou-se de perguntar: “O senhor sabe que O Poder e a Glória estão no Índex dos livros proibidos?”. O papa arregalou os olhos: “Quem fez isso?”. “O cardeal tal”, disse o escritor. Paulo VI balançou a cabeça e fez um gesto como quem diz: “esqueça o cardeal tal”.
IHU On-Line - Karl-Josef Kuschel insinua que Deus é um péssimo princípio estilístico. Vindo de um teólogo católico, o que isso significa?
Waldecy Tenório
 - Frank Kermode, um dos mais importantes críticos literários da atualidade, conclui um dos seus ensaios dizendo que os teólogos estão interessados numa espécie de acordo como o que foi feito entre a psicanálise e a ficção. Em outras palavras, eles estão interessados numa aproximação entre a teologia e a crítica literária. Uma prova disso talvez seja justamente o livro Os escritores e as escrituras,  no qual Kuschel  coloca a frase que está no centro dessa pergunta: Deus como um péssimo princípio estilístico. Para avaliarmos o sentido dessa expressão, precisamos lembrar que Kuschel fala como um renomado teólogo católico e um grande conhecedor da literatura, de que dão prova seus estudos sobre Kafka  e a literatura alemã em geral. E o que ele diz nesse livro? Paulo Soethe , que escreve o prefácio, resume bem a questão, dizendo que Kuschel afasta-se da arrogância de quem manipula a poesia e a ficção com fins religiosos e também da obtusidade de quem elide, nos textos, os elementos ligados à religião e à fé. A frase de Kuschel, portanto, soa como uma advertência contra essas duas posições sectárias e significa a abertura de um caminho por onde teólogos e críticos literários possam dialogar. E isso melhora muito a situação da Igreja diante dos críticos literários, que, por sua vez, também precisam jogar fora a armadura dos seus dogmatismos. Além disso, quando se fala na aproximação entre literatura e teologia não se pode ficar preso à tradição cristã ou católica. É preciso pensar mais longe, ir em busca da prisca theologia, para colocar aí a relação imemorial do homem com o divino, em suas múltiplas formas e na expressão própria de cada tradição.

IHU On-Line - Há lugar na universidade para o diálogo entre literatura e teologia? Podemos dizer que existe uma pesquisa significativa, nessa área, na América Latina e no Brasil?
Waldecy Tenório
 - Não faz muito, Umberto Eco  nos contou a história de um estudante que, em plena aula, perguntou: “professor, na época da internet, o senhor ainda serve para alguma coisa?”. Claro que uma pergunta como essa é um desafio: onde está, afinal, a essência do ato pedagógico? Por outras palavras, de que se trata? Armazenar informações? Desenvolver habilidades para fazer alguma coisa? Responder às necessidades do mercado? Se for só isso, realmente o professor, não digo que seja dispensável, mas sua função estaria mesmo tão diminuída que a pergunta daquele estudante não seria um disparate completo. Acontece, porém, que o ato pedagógico tem a ver com outras águas, tem a ver com a correnteza principal do rio que fertiliza a condição humana e deve fertilizar a escola. Ou seja, a educação deve entrar no cenário da cultura como um antídoto para o esquecimento do ser, e aí o diálogo entre literatura e teologia é de uma enorme pertinência. E, felizmente, tem produzido trabalhos de boa qualidade, em diversos países e no Brasil. Desse diálogo, pode brotar a resposta que Shakespeare está esperando de nós há mais de três séculos: a resposta para a questão do ser ou não ser.
IHU On-Line - Além da crença, o diálogo entre literatura e teologia tematiza também a questão do ceticismo?
Waldecy Tenório
 - Claro, não seria possível desconhecer o encontro entre a fé e o ceticismo no interior da literatura. A literatura traz em si todos os sentimentos humanos: amor, ódio, alegria, tristeza, angústia, desespero, esperança, dúvida, fé... Deus e o diabo são personagens obrigatórios, embora às vezes clandestinos, escondidos sob mil disfarces. O Bem e o Mal, o mistério que todos somos, tudo isso pulsa no romance e na poesia. E depois, lembrando Tillich,  Deus está pressuposto na própria situação de dúvida em relação a ele. Então, não há como escapar. A literatura oscila, então, entre o ceticismo e a fé, e daí o desespero e a angústia dos escritores, céticos ou crentes. Uns acreditam, outros não, muitos se desesperam. E há aqueles sempre marcados por uma profunda nostalgia. Não há dúvida de que a fé e o ceticismo são as duas faces de uma mesma moeda, duelam no fundo obscuro do texto como no fundo obscuro da vida. Lembro Sartre  falando de Deus. É surpreendente e muito bonito: “como não conseguiu enraizar-se no meu coração, Deus vegetou em mim algum tempo e depois morreu. Hoje, quando me falam dele, como o homem que encontra uma antiga namorada e sente uma profunda nostalgia, eu penso: há cinqüenta anos, sem aquele mal-entendido que nos separou, poderia ter havido alguma coisa entre nós...”.
IHU On-Line - Fazendo um exercício de leitura teopoética, como aparece a relação entre crença e ceticismo na poesia de João Cabral de Melo Neto? Como caracterizar o sagrado em seus poemas?
Waldecy Tenório
 - João Cabral  é um caso exemplar na poesia moderna brasileira. Os ensaios que escreveu, entre os quais podemos lembrar, “Considerações sobre o poeta dormindo”, “A inspiração e o trabalho de arte”, bem como seu estudo sobre Joan Miró,  podem ser incluídos naquela grande tradição dos poetas críticos estudados por Leyla Perrone-Moisés. Basta dizer que a sua “angústia da influência” tem um nome, por si, emblemático: Paul Valéry.  Ora, se os surrealistas queriam que o poema fosse a derrota do intelecto, Valéry pensa diferente. Sua obsessão é o ostinato rigore de Da Vinci e, portanto, para ele, o poema deve ser “a festa do intelecto”. Valéry escreve sob o domínio do claro, do exato, do racional. Seguindo nessa trilha, nosso poeta abandona o momento romântico no qual, segundo Pristley, vivíamos batendo palmas para a sombra da lua e toma outro rumo, vai celebrar o sol. Estamos em pleno Iluminismo, como mostra o poema “A cana e o século XVIII”, no qual “a cana é pura enciclopedista /no geométrico, no ser de dia/ na incapacidade de dar sombras/ mal-assombradas, coisas medonhas”. Aqui o sobrenatural não tem vez, tanto mais que João Cabral é ateu e, diz ele, nasceu sem transcendência. No entanto, como em certa canção da MPB, o inesperado faz uma surpresa e o leitor, se estiver atento, é testemunha de uma mudança. A conhecida frase de Adorno,  segundo a qual “o mundo totalmente iluminado brilha sob a luz de uma terrível desventura”, encontra sua tradução num verso que diz “Dá-se que hoje dói na vida tanta luz”. Resumindo: a poesia de João Cabral acaba por descobrir que o racionalismo nos desumanizou. No mundo da técnica sem o suplemento de alma que Bergson  reclamava e no mundo da ciência sem consciência que Morin denunciou, “o esquadro disfarça o eclipse/ que os homens não querem ver”. O eclipse é a crise do homem e então o poeta revoluciona a sua astronomia dizendo que “nova espécie de sol/ eu, sem contar, descobria”. A nova espécie de sol é o ser humano e então, da fase marcada pela astronomia, sua obra passa para uma fase marcada pela antropologia. Não é mais o racional nem o econômico, é o humano que conta. Ora, Rahner nos ensinou que da antropologia para a teologia é um passo. Ao descobrir o homem, João Cabral descobre a sua própria transcendência. E o extraordinário é que se trata de uma mulher. A bailadora andaluza revoluciona a astronomia do poeta quando faz a conexão com o sagrado, aquele sagrado que explode nem que seja na vida severina. Por isso, deixe agora que eu lhe diga, quem aconselha o retirante a pular para dentro da vida? Pode ser Seu José, mas também pode ser São José mestre carpina. Por que não?


11 de abril de 2015

Deus e Eu no Sertão

Nesta semana fiz uma atividade interessante: Analisar a conotação religiosa que uma música "do mundo" tem, ao passo que muitas canções "para Deus" não possuem nem o rastro de intenções divinas, mas sim antropocêntricas.

Vale a pena verem o vídeo.

Deixem aqui seu comentário.


15 de outubro de 2014

A vocação terrestre fundamental do homem

Esta vocação será completa e definitiva no termo do processo histórico quando todas as coisas chegarem a uma absoluta plenificação e integração em Deus ou a uma radical frustração. Enquanto estamos ainda a caminho, realizamos a vocação derradeira parcialmente. Ela não interrompe somente o sim. Ela está sendo vivida e formada já dentro da vida presente. No tempo final, ela receberá seu caráter de plenitude.
O homem deve realizar aquilo que ele é e aquilo que Deus quis quando o colocou dentro da história-a-caminha-da-pátria-celeste.
Esta vocação do homem terrestre consiste em ele ser homem. O homem realizará sua humanidade caso se mantiver constantemente em relação com a totalidade da realidade que está nele mesmo e com aquela que o cerca.
O homem é o pequeno deus que representa o Grande Deus, o qual comumente não intervém de forma direta em sua criação. Ele intervém, continua a criar e fala através de seu órgão direto no mundo: o homem.
Porém, para entender o homem neste aspecto de “deus”, precisamos ultrapassar vários abismos, sendo eles os temporais, geográficos, culturais de cada povo, para que se possa chegar a uma idéia mínima de como se formou a consciência antropológica no homem, e como apareceram os seus deuses e sua variadas regiões.
O que se nota, é que o homem desde muito novo, é um ser religioso, e dependente de uma ou mais divindades para desenvolver seu intelecto internamento, seus relacionamentos com a família e também com a sociedade.
Saber de onde veio, como veio, e quando veio; e também para onde irá, sempre fará parte do paradigma da existência da raça uma na terra, já que ao mesmo tempo ele sabe que foi feito à imagem e semelhança de Deus, outrora fica intrigado em não passar de um “animal falante” que possui vontade própria e raciocínio em como com outros da sua espécie, que é a causa da origem dos pequenos grupos, denominados clãs, e da sua teologia tribal.

Esta antropologia nos condicionou a imaginarmos como era o continente americano na época do descobrimento.
Os europeu deram de cara com homens que praticamente pertenciam à outro mundo.
A antropologia moderna, como ciência, procurará as leis da história na ciência dos homens, tendo em vista recuperar a memória e as expressões culturais como modo de ser diferenciado de cada sociedade. A pesquisa é uma forma de selecionar, conceituar, colecionar e ordenar dados em resposta a um questionamento. Esse processo pode ser feito de duas maneiras: pela da linha sincrônica; e a linha diacrônica, a que se pergunta sobre o desenvolvimento histórico, como a sociedade chegou a ser o que é.

Por Eduardo Silva

11 de outubro de 2014

Falando sobre sociologia da religião

1) Em que sentido a visão de Marx pode ser considerada válida na atualidade, considerando a proliferação de religiões em nossa sociedade pós-moderna?

Marx de início já fazia apologia que de a religião é o “ópio da humanidade”1, e compara a religião como uma ilusão, onde a pessoa religiosa pensa torna-se uma espécie de super-homem, com a ajuda das divindades, que hoje em dia, com as diversas religiões e seitas são muitos. Os casos mais acentuados se dá entre os crentes neopentecostais, pentecostais e também aos adeptos das religiões africanas.
Os protestantes e históricos sofrem menos desse efeito que Marx já observava.
Hoje em dia, a religião não apenas no Brasil, mas nos Estados Unidos e Europa giram em torno do capitalismo.
Por isso as igrejas vêm crescendo de forma monstruosa por estes países, já que as pessoas que buscam a igreja e a religião, além da ilusão de se tornarem super-homem, também vão apenas de milagres, que na maioria das vezes consiste em bênçãos materiais (a cura vem em segundo plano).
A religião é apresentada no texto como discussão teológica, portanto teórica. Ela, “a tese geral deste mundo”, explica, aos homens, o mundo em que vivem. Mas de que forma? Fornecendo-lhes a imagem de super-homem que citei anteriormente, que transcende o humano.
A religião serviria essencialmente para tornar suportável a existência humana, o nosso “vale de lágrimas”, expressão de origem bíblica. Desta forma para superar o mundo injusto é necessário superar a religião que o sustenta. A religião transforma algo sagrado em provação divina, portanto, o suportar das condições de existência. Por isso, ela é o ópio: ajuda a suportar a dor de viver em um mundo tão desigual.
Acredito que Marx teria escrito bem mais, se na sua época tivesse conhecimento da “Teologia da Prosperidade”, já que este seria um forte obstáculo para a transformação advogada por Marx – o desaparecimento do capitalismo.
1 Ópio é uma droga derivada da heroína, que causa euforia, bem estar, ausência de dor (no caso de uso hospitalar). Enfim, faz o ser humano sentir uma falsa alegria por alguns momentos, dependendo da dose utilizada.


2) Observando as religiões neopentecostais atuais, nascidas a partir de matrizes religiosas norte-americanas, pode-se dizer que a visão de Weber sobre a relação entre o “Espírito do capitalismo” e a religião continua presente na base da pregação de tais igrejas?

Sim, pode. Mas discordo da colocação da pergunta, onde se é citada apenas as religiões neopentecostais, porque na verdade, hoje em dia “todas” as religiões carregam consigo o “Espírito da Capitalismo”, exceto umas pouca, que citei na questão anterior.
Podemos ver coerência na teoria de Weber principalmente quando colocamos em questão a fé calvinista (predestinação) com a formação basilar do espírito capitalista moderno, o que não descarta que o capitalismo não pudesse ter existido sem a existência dessas tendências, já que Weber tinha o conhecimento de que o capitalismo surgira bem antes da Reforma Protestante.
Weber escreveu diferentes textos, apontando que o capitalismo no mundo sempre existiu, separadamente da religião, não colocando a “culpa” somente na religião, nem mesmo da época da corrupção da Igreja Católica Romana, com a venda de indulgências.
Weber cita que o homem prefere trabalhar somente o necessário para viver, afirmando que tal idéia concorda plenamente com as idéias do calvinismo antigo.
Assim o calvinismo não foi o responsável direto pelo capitalismo. Ele diz que foi “um dos portadores” e não “o” portador da educação para o espírito da capitalismo.
Mas, baseado no “ide” muitas igrejas são fundadas, e o dinheiro tornou-se o tema central das pregações. Muitas da vezes Jesus fica de fora de tais pregações.
Como respondi na questão anterior sobre o espírito do capitalismo dentro da igreja, o que se pode dizer é que Weber tinha uma leve visão sobre este aspecto, pois hoje em dia está muito pior do que na época de Weber. Talvez ele nunca imaginou que chegaria a este ponto, mas, infelizmente esta é a realidade contemporânea.

1 de novembro de 2013

Receita Federal vai leiloar, em novembro de 2013, jatinho usado por Valdemiro Santiago

A Receita Federal vai leiloar no dia 25 de novembro o jatinho Falcon 900, prefixo N900CZ, fabricado em 1987, que era usado pelo apóstolo Valdemiro Santiago, líder da Igreja Mundial do Poder de Deus. Segundo informações do Estadão, o veículo foi avaliado em R$ 22,5 milhões e foi apreendido em operação contra a sonegação fiscal.
  • Valdemiro Santiago
    (Foto: Divulgação)

As propostas, de pessoas físicas e jurídicas, interessadas nos dois jatinhos devem ser enviadas à Receita Federal até o dia 22 de novembro. Os lances mínimos serão de R$ 11 milhões para a aeronave de Santiago e R$ 28 milhões para a de Dahruj Filho. Ambos os veículos estão no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP).O Falcon 900 de Valdemiro estava em nome da Wilmington Trust Company, mas era arrendado pela Global Jet Leasing Inc. Junto com ele, também será leiloada uma Challenger 300, prefixo N290CL, avaliada em R$ 35 milhões, utilizada pelo empresário Cláudio Dahruj Filho, dono de uma rede de concessionárias de veículos, em Campinas, no interior de São Paulo (SP).
Valdemiro Santiago, de 49 anos, é um apóstolo evangélico brasileiro. Durante aproximadamente 20 anos foi integrante da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). Em 1998, desligou-se, após problemas com a liderança. Alguns dias depois, fundou a Igreja Mundial do Poder de Deus, que absorveu parte dos membros da Universal e conta com mais de 3,5 mil templos espalhados pelo Brasil. A maioria dos espaços é modesta.
Em janeiro de 2013, a revista Forbes avaliou sua fortuna em aproximadamente 220 milhões de dólares (R$ 450 milhões). O líder nunca se formou em nenhum curso de teologia, nem de oratória. Sua imagem ficou associada a um chapéu de caubói, com o qual apareceu na TV.

ISSO É APENAS O COMEÇO!!!!!!

FONTE: http://portugues.christianpost.com

25 de março de 2013

O Papa que paga as próprias contas

Vejam só um exemplo que os grandes líderes evangélicos deveriam seguir:
"Para mim o gesto mais simples, honesto e popular do Papa Francisco foi o de ir ao hotelzinho onde se hospedara e foi pagar suas contas: 90 Euros por dia. Entrou e pegou ele mesmo suas roupas, arrumou a malinha, cumprimentou os funcionários e foi embora. Que potentado civil, que opulento milionário, que famoso artista faria tal coisa?", escreve Leonardo Boff, teólogo e filósofo.
Eis o artigo.

O que convence as pessoas não são as prédicas mas as práticas. As ideias podem iluminar. Mas são os exemplos que atraem e nos põem em marcha. Eles  são logo entendidos por todos. As muitas explicações mais confundem que esclarecem. As práticas falam por si.
O que tem marcado o novo Papa Francisco, aquele “que vem do fim do mundo” quer dizer de fora dos quadros europeus tão carregados de tradições, palácios, espetáculos principescos e de disputas internas de poder, são gestos simples, populares, óbvios para quem dá valor ao bom senso comum da vida. Ele está quebrando os protocolos e mostrando que o poder é sempre uma máscara e um teatro bem puntualizado pelo sociólogo Peter Berger, mesmo em se tratando de um poder pretensamente de origem divina.

O Papa Francisco simplesmente obedece ao mandato de Jesus que explicitamente disse que os grandes deste mundo mandam e dominam: ”convosco não deve ser assim; se alguém quiser ser grande, seja servidor; quem quiser ser o primeiro, seja servo de todos; pois o Filho do homem não veio para ser servido mas para servir” (Mc 10-43-45). Bem, se Jesus disse isso, como pode o garante de sua mensagem, o Papa, agir diferentemente?

Na verdade, com a constituição da monarquia absolutista dos Papas, especialmente, a partir do segundo milênio, a instituição eclesiástica herdou os símbolos do poder imperial romano e da nobreza feudal: roupas vistosas (como as dos cardeais), ouropéis, cruzes e anéis de ouro e prata e hábitos palacianos. Nos grandes conventos religiosos que vem da Idade Média se vivia em espaços palacianos.

Como estudante, no quarto em que me hospedava no convento franciscano de Munique que remonta ao tempo deGuilherme Ockham (século XIV) só um quadro renascentista da parede valia alguns milhares de euros. Como combinar a pobreza do Nazareno que não tinha onde repousar a cabeça com as mitras, os báculos dourados e as estolas e vestes principescas dos atuais prelados? Honestamente não dá. E o povo que não é ignorante mas fino observador nota esta contradição. Tal aparato nada tem a ver com a Tradição de Jesus e dos Apóstolos.

Segundo alguns jornais, quando o secretário do Conclave quis colocar sobre os ombros do Papa Francisco a “mozzetta”, aquela capinha, ricamente adornada, símbolo do poder papal, simplesmente disse: ”O carnaval acabou; guarde esta roupa”. E apareceu com sua veste branca, como costumava vestir também Dom Helder Câmara que deixou o palácio colonial de Olinda e foi morar numa meia-água na igreja das Candeias, na periferia; como o fez também Card. Dom Paulo Evaristo Arns, sem falar de Dom Pedro Casaldáliga que vive numa casinha pobre, compartindo o quarto com algum hóspede.

Para mim o gesto mais simples, honesto e popular do Papa Francisco foi o de ir ao hotelzinho onde se hospedara (nunca se hospedava na grande casa central dos jesuítas em Roma) e foi pagar suas contas: 90 Euros por dia. Entrou e pegou ele mesmo suas roupas, arrumou a malinha, cumprimentou os funcionários e foi embora. Que potentado civil, que opulento milionário, que famoso artista faria tal coisa? Seria maliciar a intenção do bispo de Roma querer ver neste gesto, normal para todos nós mortais, uma intenção populista.

Não fazia a mesma coisa quando era cardeal de Buenos Aires, buscando seu jornal, comprando o que ia preparar para comer, indo de ônibus ou de metrô e preferindo se apresentar  como  “padre Bergoglio”?

Frei Betto cunhou uma expressão de grande verdade: ”a cabeça pensa a partir de onde os pés pisam”. Efetivamente, se alguém sempre pisa em palácios e em suntuosas catedrais, acaba pensando na lógica dos palácios e das catedrais. Por esta razão, no domingo, celebrou missa na capelinha de Santa Ana, dentro do Vaticano que é considerada a paróquia romana do Papa. E depois foi conversar com os fiéis à porta.

Coisa notável e carregada de conteúdo teológico: não se apresentou como Papa, mas como “bispo de Roma”. Pediu orações não para o Papa emérito Bento XVI, mas para o bispo emérito de Roma, Joseph Ratzinger. Com isso ele retomou a mais primordial tradição da Igreja a de considerar o bispo de Roma “o primeiro entre os pares”. Pelo fato de na cidade estarem sepultados Pedro e Paulo, ganhava especial proeminência. Mas esse poder simbólico e espiritual era exercido no estilo da caridade e não na forma do poder jurídico sobre as demais igrejas como  predominou no segundo milênio. Não me admiraria absolutamente se, como queria João Paulo I, resolvesse abandonar o Vaticano e fosse morar num lugar simples, com amplo espaço exterior para receber a visita dos fiéis. Os tempos estão maduros para este tipo de revolução nos costumes papais. E que desafio está representando para os demais prelados da Igreja: viver a simplicidade voluntária e a sobriedade condividida.

11 de março de 2013

MARCO FELICIANO E A COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS

Por Renato Vargens


Como todos sabem eu não tenho nenhuma relação com o  pastor Marco Feliciano. Na verdade eu sou um daqueles que discorda de sua teologia e doutrina, considerando os seus ensinos absolutamente antagônicos aos ensinamentos cristãos. Afirmo também que nunca votei em Feliciano e mesmo que morasse no estado de São Paulo, também nele não votaria, portanto, posso afirmar sem a menor sombra de dúvidas que ele não me representa no Congresso Nacional. Todavia, por questão de justiça, uso deste espaço para manifestar minha preocupação com a forma agressiva com que um número incontável de pessoas tem se dirigido ao deputado paulista.

Pois bem, o UOL publicou nessa manhã de segunda feira, 11/03/2013, que o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) foi alvo de nova manifestação na noite deste domingo (10). O protesto deu-se em Franca, no interior de São Paulo. Ao chegar a um dos templos de sua igreja, Feliciano foi recepcionado por 150 pessoas que munidos de cartazes, protestaram aos gritos contra a acomodação do religioso na presidência da Comissão dos direitos humanos.

Caro leitor, vivemos em um estado democrático de direito e todos possuem liberdade de manifestarem suas opiniões de forma decente e equilibrada, no entanto, confesso que me surpreendeu o fato de que 150 cidadãos saíram de suas casas para afrontarem o deputado-pastor em frente uma igreja evangélica. Ora, vamos combinar uma coisa? Isso poderia ser feito em qualquer lugar não é verdade? Mas, em frente a uma igreja em um horário de culto não, mesmo porque, isso infringe  a constituição brasileira que afirma que o o local de culto é inviolável e que por lei está assegurado o livre exercício da religião. (Art. 5 inc.VI da Constituição Federal)

Interessante que poucos dias atrás, Renan Calheiros foi eleito presidente do Senado e nenhuma manifestação sequer parecida foi feita pela sociedade civil. Além disso no Congresso Nacional é possível encontrarmos todo tipo de gente presidindo comissões de maneira absurda, no entanto ninguém falou absolutamente nada.

Conforme afirmou Reinaldo Azevedo, Feliciano anteriormente já havia dito uma porção de tolices. "No entanto, acusá-lo,  de racista e homofóbico por causa das suas declarações constitui um evidente exagero e serve para mascarar o preconceito de "antirreligiosidade".  Isso também é manifestação de intolerância, afirmou Azevedo.

Prezado amigo, divergências fazem parte de um estado democrático e precisamos aprender conviver com elas. Progressistas e esquerdistas amam falar em tolerância. Em seus simpósios, congressos e  conferências é comum encontrá-los dissertando sobre o tema, afirmando a necessidade de  exercer paciência e benevolência com aqueles que deles divergem. Entretanto, basta com que alguém os critique, ou discorde do seu modo esquerdista de ser, que os tolerantes se transformam em intolerantes.

Pois é, tenho visto os defensores da tolerância reagindo com intolerância aos que pensam diferente. Nessa perspectiva, quando contrariados, os que deveriam ser tolerantes respondem aos conservadores "intolerantes" com ironia, deboche e desdém. Ora,  tolerantes não pregam tolerância? Por acaso não deveriam ser os progressistas tolerantes? Por que será então que tolerantes não toleram ser contrariados?

Como afirmei anteriormente eu não votei em Feliciano, no entanto, se ele eleito foi, deve cumprir o seu papel sim, obedecendo assim as regras democráticas estabelecidas pela constituição do Brasil. Isto posto, sou contra a todo aquele que de forma arbitrária queira tirar Feliciano da presidência da comissão dos direitos humanos do Congresso Nacional.

Sinceramente eu gostaria de ver em alguns do povo brasileiro a mesma veemência em protestar contra o  mensalão que cobriu de vergonha o país, ou contra a "privataria tucana", ou até mesmo contra os roubos e desvios financeiros feitos pelos "nobres"deputados que envergonham a nação brasileira. Ficaria feliz em ver a população saindo as ruas exigindo honestidade e decência por parte dos governantes, como também exigindo do Estado politicas publicas que tratem o tão sofrido cidadão brasileiro com respeito e dignidade.

Como cristão e ministro do evangelho tenho orado pelo Brasil rogando ao Deus Eterno que tenha misericórdia de nós e que abençoe essa nação bem como também todos aqueles que se encontram investidos de autoridade.

Em Cristo,

Renato Vargens

Fonte: http://renatovargens.blogspot.com.br/

17 de janeiro de 2013

COMO DISCERNIR UM AMIGO DE VERDADE?

Caio Fábio

Meu critério pessoal, hoje, de atribuir amizade a alguém, é muito simples: vejo quem se alegra com minhas alegrias, e chora com minhas dores.

No entanto, quando se trata de estabelecer uma nova amizade, primeiro vejo se ela tem “espírito” para se alegrar com minhas alegrias; pois, somente depois disto, é que terei confiança de fazê-la parte de minhas tristezas.

Ora, isto tanto se baseia no ensino espiritual do Evangelho, como também é uma simples constatação da vida.

No espírito do Evangelho, Paulo ensina: “Alegrai-vos com os que se alegram; e chorai com os que choram”. Assim, a gente só sabe quem chora genuinamente com a gente, se tal pessoa, tendo tido a oportunidade, já se alegrou sinceramente com nossa felicidade.

Na vida é a mesma coisa. Amigos que fazem cara de inveja ou mostram atitudes estranhas quando a gente está bem, não merecem fazer parte de nossas tristezas.

Somente “amigos mesmo” é que podem entrar no santuário de nossas dores. Inverter esta ordem, é como convidar o diabo para presidir a Santa Ceia do coração.

Todavia, embora eu já houvesse até pregado e escrito sobre isto, sempre a partir da Palavra, foi quando a Palavra se tornou existência, dor, perda, angustia, medo, solidão e sentimento de desprezo, que vim a entender, com o coração, qual é a constituição de um verdadeiro amigo, e o sentimento sentido do significado das palavras de Paulo.

Os que tiveram chance e se alegraram muito com minhas alegrias, foram os mesmos que efetivamente estavam presentes em minhas tristezas; e sempre solidariamente me falaram a verdade..

A esses eu chamo amigos, significando não um tratamento de palavras, mas um tratamento de vida, e carinho grato e comprometido.

www.caiofabio.net
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